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Saturday, November 18, 2017

O Significado das Cruzadas




Para finalizar esta série de artigos sobre a missão espiritual do guerreiro, traduzimos o artigo 'O Significado das Cruzadas', de Julius Evola.

Aos leitores interessados em aprofundar a visão de Evola sobre o assunto, recomendamos a leitura da colectânea de artigos reunida pela Editora Arktos, intitulada 'Metafísica da Guerra', bem como a obra-prima de Evola, 'Revolta Contra o Mundo Moderno', especialmente a primeira parte do mesmo.


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Reiniciemos a nossa análise das tradições relativas ao heroísmo nas quais a guerra é considerada como um caminho de realização espiritual no sentido estrito do termo, e portanto adquire uma justificação e propósito transcendentes. Já discutimos as conceções do antigo mundo romano a este respeito. Depois descrevemos as tradições nórdicas em relação ao caráter imortalizante da verdadeira morte heroica no campo de batalha. Era necessário examinar estas tradições antes de considerar o mundo medieval, já que, como é geralmente reconhecido, a Idade Média, como uma cultura, surgiu da síntese de três elementos: primeiro, o Romano; segundo, o Nórdico; e terceiro, o Cristão.

Portanto, estamos agora em posição de examinar a ideia da ‘sacralidade da Guerra’ como a Idade Média Ocidental a conheceu e cultivou. Como é evidente, aqui referimo-nos às Cruzadas entendidas no seu sentido mais profundo, não no sentido reclamado pelos materialistas históricos, de acordo com os quais elas são meros efeitos de determinismo económicos e étnicos, nem no sentido reclamado por mentes ‘desenvolvidas’, de acordo com as quais estas são meros fenómenos de superstição e exaltação religiosa – nem, finalmente, consideramo-las inclusive como um simples fenómeno Cristão. A respeito a este último ponto é necessário não perder de vista a correta relação entre os meios e fins. É frequentemente dito que, nas Cruzadas, a fé Cristã fez uso do espírito heroico da cavalaria Ocidental. No entanto, o oposto é verdade: isto é dizer, a fé Cristã, e os imperativos relativos e contingentes da luta religiosa contra o ´infiel´ e a ‘libertação’ do ‘Templo’ e da ‘Terra Santa’, foram meramente os meios que permitiram ao espírito heroico manifestar-se, afirmar-se, e de realizar uma espécie de ascese, distinta daquela de tipo contemplativo, mas não menos rica nos frutos espirituais. A maior parte dos cavaleiros que forneceram as suas energias e o seu sangue para a ‘guerra santa’ apenas tinham as ideias mais vagas e os conhecimentos teológicos mais rudimentares acerca da doutrina pela qual lutavam.

No entanto, o contexto cultural das Cruzadas continha uma riqueza de elementos capazes de conferir sobre eles um mais elevado significado simbólico espiritual. Mitos transcendentes ressurgiram do subconsciente na alma da cavalaria Ocidental: a conquista da ‘Terra Santa’ localizada ‘além-mar’ estava muito mais associada do que muita gente imaginava com a antiga saga de acordo com a qual ‘no Oriente distante, onde o Sol se levanta, fica a cidade sagrada onde a morte não existe, e os felizes heróis capazes de a alcançar gozarão da serenidade celestial e da vida perpétua’.

Além disso, a luta contra o Islão tinha, pela sua natureza e desde o seu início, o significado de um teste ascético. ‘Esta não era apenas a luta pelos reinos da Terra’, escreveu o famoso historiador das Cruzadas, Kugler, ‘mas uma luta pelo Reino dos Céus: as Cruzadas não foram uma coisa de homens, mas de Deus – portanto, elas não devem ser pensadas do mesmo modo que os outros eventos humanos’.

A guerra sagrada, de acordo com um antigo cronista, devia ser comparada a ‘um banho como aquele no fogo do purgatório, mas antes da morte’. Os que morriam nas Cruzadas eram simbolicamente comparados pelos Papas e padres ao ‘ouro três vezes testado e sete vezes refinado no fogo’, uma provação purificante tão poderosa que abria a via para o Senhor supremo.

‘Nunca esqueçam este oráculo’, escreveu São Bernardo, ‘quer vivamos, ou quer morramos’ pertencemos ao Senhor. É uma glória para vós nunca abandonar a batalha [exceto se] cobertos de louros. Mas é uma glória ainda maior ganhar no campo de batalha uma coroa imortal […] Ó ditosa condição, na qual a morte pode ser aproximada sem medo, esperada com impaciência, e recebida com um coração sereno!’ Era prometido que o Cruzado obteria uma glória absoluta – gloris asolue, na língua provençal – e que ele encontraria ‘descanso no paraíso’ – conquerre lite en paradis – isto é dizer, ele atingiria a supra-vida, o estado de existência sobrenatural, algo para além da representação religiosa. A este respeito, Jerusalém, o objetivo ambicionado da conquista, aparecia num duplo aspeto, como uma cidade terrena e como um símbolo, cidade celestial e inatingível – e a Cruzada ganhava um valor interior independente de todos os significados exteriores, apoios ou motivos aparentes.

Além disso, a maior contribuição em termos humanos foi proporcionada às Cruzadas pelas ordens cavaleirescas como os Templários e os Cavaleiros de São João, que eram constituídas por homens que, como o monge ou o ascético Cristão, tinham aprendido a desprezar a vaidade desta vida; guerreiro cansado do mundo, que tudo tinha visto e de tudo desfrutado, que se refugiavam em tais ordens, fazendo-se então prontos para uma ação absoluta, livre dos interesses da vida comum, temporal, e também da vida política no sentido mais estreito do termo. Urbano VIII dirigia-se à cavalaria como a comunidade supranacional daqueles que estavam ‘prontos a correr para a guerra onde quer que esta desponte, e levar consigo o medo das suas armas em defesa da honra e da justiça’. Eles deveriam responder à chamada para a ‘guerra santa’ tão mais rapidamente, de acordo com um dos escritores do tempo, já que o prémio não seria um feudo terreno, sempre revogável e contingente, mas um ‘feudo celestial’.

Aliás, o curso das Cruzadas, com todas as suas mais extensas implicações para a ideologia geral da altura, guiava a uma purificação e a uma internalização do espírito da empresa. Dada a convicção inicial de que a guerra pela ‘verdadeira fé’ não podia ter que não fosse um resultado vitorioso, os primeiros reveses militares sofridos pelos exércitos Cruzados foram uma fonte de surpresa e de desalento; mas, no fim, elas serviram para trazer à luz o aspeto mais elevado da ‘guerra sagrada’. O infeliz destino da Cruzada foi comparado pelos clérigos de Roma aos infortúnios da virtude, que só são repostos noutra vida. Mas, ao tomar este rumo, eles já se encontravam próximos de reconhecer algo superior tanto à vitória como à derrota e de acordo com a maior importância dada ao aspeto distintivo da ação heroica que é alcançado independentemente de quaisquer frutos visíveis e materiais, quase no sentido de uma oferenda, que traz consigo, do sacrifício viril de todos os elementos humanos, a imortalizante ‘glória absoluta’.

Vê-se que deste modo eles aproximavam-se de um plano que era supra-tradicional, no sentido mais restrito, histórico e religioso da palavra ‘tradição’. A fé religiosa particular, os propósitos imediatos, o espírito antagonista, eram claramente revelados como meios, como inessenciais em si mesmos, como a própria natureza de um combustível que é usado com o único propósito de reavivar e de alimentar uma chama. O que restava no centro, no entanto, era o sagrado valor da guerra. Então tornou-se possível reconhecer que os elementos do momento atribuíam à batalha o mesmo significado tradicional.

Deste modo e apesar de tudo, as Cruzadas permitiram enriquecer a troca comercial entre o Ocidente Gibelino e o Oriente Árabe (ele mesmo centro de mais antigos elementos tradicionais), uma troca cuja significância é muito maior do que a até aqui atribuída pela maior parte dos historiadores. Como os cavaleiros das ordens cruzadas encontraram-se na presença dos cavaleiros das ordens árabes que eram praticamente seus duplos, manifestando correspondências em éticas, costumes, e por vezes também em símbolos, pelo que a ‘guerra santa’ que impeliu as duas civilizações uma contra a outra sob o nome das suas respetivas religiões, levou-os ao mesmo tempo a encontrarem-se, isto é dizer, a compreender que, apesar de terem como ponto de partida duas fés diferentes, eles tinham eventualmente concordado guerrear os idênticos e independentes valores da espiritualidade.

No nosso próximo artigo, vamos estudar o modo pelo qual, das premissas desta fé os antigos Cavaleiros árabes ascenderam ao mesmo ponto supra-tradicional do Cavaleiro Cruzado obtido pelo seu ascetismo heroico.

Por agora, no entanto, gostaríamos de lidar com um ponto diferente. Aqueles que consideram as Cruzadas, com indignação, como entre os mais extravagantes episódios da ‘negra’ Idade Média, não têm sequer a menor suspeita de que o que chamam de ‘fanatismo religioso’ foi o sinal visível da presença e da efetividade de uma sensibilidade e determinação, a ausência da qual é mais característica do verdadeiro barbarismo. De facto, o homem das Cruzadas foi capaz de se elevar, de lutar e morrer por um propósito que, na sua essência, era suprapolítico e supra-humano, e servir numa frente definida não mais pelo que é particularístico, mas antes pelo que é universal. Isto mantém-se um valor, um inamovível ponto de referência.

Naturalmente, isto não deve ser incompreendido para significar que o motivo transcendental possa ser usado como uma desculpa para o guerreiro se tornar indiferente, para se esquecer das obrigações inerentes à sua pertença a uma raça ou a uma pátria. Este não é de todo o nosso ponto, que se preocupa antes com os significados profundamente díspares de acordo com os quais as ações e os sacrifícios podem ser experimentados, apesar do facto que, do ponto de vista externo, eles possam ser absolutamente os mesmos. Existe uma diferença radical entre aquele que se envolve na guerra simplesmente como tal, e aquele que simultaneamente se envolve numa ‘guerra sagrada’ e encontra nela uma experiência mais elevada, ambas desejadas e desejáveis para o espírito.

Devemos acrescentar que, apesar de esta diferença ser primariamente interior, no entanto, porque os poderes de interioridade são permitidos encontrar expressão também na exterioridade, derivam efeitos dela também no plano exterior, especificamente nos seguintes aspetos:

Primeiro que tudo, numa ‘indomabilidade’ do impulso heroico: o que experimenta espiritualmente o heroísmo é permeado por uma tensão metafísica, um ímpeto, cujo objeto é ‘infinito’, e que, portanto, levá-lo-á perpetuamente em frente, para além da capacidade daquele que luta por necessidade, que luta por como um ofício, ou que é empurrado por instintos naturais ou sugestão externa.

Segundo, aquele que luta de acordo com o sentido de uma ‘guerra sagrada’ encontra-se espontaneamente para além de todo o particularismo e subsiste num clima espiritual o qual, a qualquer dado momento, pode muito bem fazer surgir e dar vida a uma unidade de ação supranacional. Isto é precisamente o que ocorreu nas Cruzadas quando príncipes e duques de todos os territórios se juntaram numa empresa heroica e sagrada, independentemente dos seus interesses utilitários e divisões políticas particulares, fazendo surgir pela primeira vez a grande unidade Europeia, fiel à própria civilização e ao princípio próprio do Sacro Império Romano.

Agora, neste respeito também, se formos capazes de deixar de lado o ‘integumento’, se formos capazes de isolar o essencial do contingente, encontraremos um elemento cujo valor precioso não é restrito a qualquer período histórico particular. Para suceder em referir a ação heroica também a um plano ‘ascético’, e em justificar o primeiro de acordo com o último, é aclarar o caminho em direção a uma possível unidade de civilização, de renovar todo o antagonismo condicionado pela matéria, preparar o ambiente para grandes distâncias, e para maiores frentes, e, portanto, para gradualmente adaptar os propósitos externos de ação para o seu novo significado espiritual, quando ela não é mais um território ou as ambições temporais de um território pelo que se luta, mas um princípio superior de civilização, uma prefiguração do que, apesar de ainda metafísico, se move sempre em frente, para além de todo o limite, para além de todo o perigo, para além de toda a destruição.



Thursday, November 16, 2017

A Sacralidade da Guerra




Continuando a série de artigos de Julius Evola, na revista Diorama, sobre o significado sobrenatural da batalha e da via divina do guerreiro, deixamos em baixo a segunda tradução da mesma, intitulada ‘A Sacralidade da Guerra’, onde são exploradas antigas conceções das mesmas, nomeadamente da Antiguidade Clássica, Nórdica e Iraniano-Persa.

Sem demoras, passemos a palavra ao Mestre.


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No nosso artigo prévio vimos que o fenómeno do heroísmo guerreiro tem várias modalidades que podem conter significados fundamentalmente diferentes, como visto do ponto de vista de uma conceção intencionada a estabelecer os valores da verdadeira espiritualidade.

Resumindo o nosso argumento deste ponto de vista, devemos começar por indicar algumas conceções relativas às nossas antigas tradições, as tradições Romanas. Geralmente possui-se apenas a ideia secular dos valores da antiga Roma. De acordo com esta ideia, o romano era meramente um soldado, no sentido mais limitado da palavra, e era por intermédio das suas qualidades guerreiras, junto a uma feliz combinação de circunstâncias, que ele conquistou o mundo. Esta é uma opinião falsa.

Em primeiro lugar, até ao fim do Império, os romanos consideraram um artigo de fé que as forças divinas tanto criaram como protegeram a grandeza de Roma – o Imperium e a Aeternitas. Aqueles que se querem limitar ao ponto de vista ‘positivo’ estão obrigados a substituir esta perceção, profundamente sentida pelos romanos, por um mistério; o mistério, isto é, de que um punhado de homens, sem quaisquer razões fundamentais, sem sequer ideias de uma ‘terra’ ou de ‘pátria’, e sem quaisquer dos mitos ou paixões aos quais os modernos tão voluntariamente deitam mão para justificar a guerra e promover o heroísmo, avançaram continuamente, mais e mais longe, de um país para o próximo, seguindo um estranho e irresistível impulso, baseando tudo numa ‘ascese de poder’. De acordo com o testemunho unânime de todos os autores Clássicos, os primeiros romanos eram altamente religiosos – nostri maiores religiossimi mortalhes, Sallust relembra – e Cícero e Aulo Gélio repetem este ponto de vista – mas esta sua religiosidade não estava confinada a uma esfera abstrata e isolada, mas permeava a sua experiência na sua totalidade, incluindo nela própria o mundo da ação, e portanto também o mundo da experiência guerreira.

Um especial colégio sagrado de Roma, o Fecial, presidia sobre um bem definido sistema de ritos que proporcionavam a contraparte mística a todas as guerras, desde a sua declaração até à sua conclusão. Mais genericamente, é incontrovertido que um dos princípios da arte militar dos romanos requeria deles que não se permitissem entrar em batalha antes de certos sinais místicos terem definido, por assim dizer, o seu ‘momento’. Por causa das distorções mentais e dos preconceitos resultantes da educação moderna, a maior parte das pessoas de hoje estaria naturalmente inclinada para ver nisto uma superestrutura extrínseca, supersticiosa. Os mais benevolentes poderão ver nela um fatalismo excêntrico, mas de facto não é nenhum destes conceções. Como outras disciplinas similares, a essência da arte augural praticada pelo patriciado romano, aproximadamente com as mesmas características facilmente encontráveis no ciclo das grandes civilizações Indo-Europeias, não era a descoberta do ‘fates’, que seria então seguido com passividade supersticiosa: antes, era o conhecimento dos pontos de juntura com influências invisíveis, o uso nas quais as forças dos homens podiam-se desenvolver, multiplicar e serem guiadas para atuarem num plano mais elevado, em adição ao do dia-a-dia, levando então – quando a harmonia era aperfeiçoada – à remoção de todos os obstáculos e de todas as resistências dentro do evento-complexo que era ao mesmo tempo material e espiritual. À luz deste conhecimento, não pode ser duvidado de que os valores romanos, a romana ‘ascese de poder’, possuía necessariamente um aspeto espiritual e sacral, e que eram consideradas não apenas como um meio para a grandiosidade militar e temporal, mas também como um meio de contacto e de ligação com forças sobrenaturais.

Se o fosse apropriado aqui fazer, poderíamos reproduzir vários materiais conformes a esta tese. No entanto, limitar-nos-emos a mencionar que a cerimónia do triunfo em Roma tinha um carácter que era muito mais religioso que militarístico no sentido secular, e que muitos elementos parecem demostrar que os romanos atribuíam a vitória dos seus líderes menos aos seus meros atributos humanos do que a uma força transcendente que se manifestava de modo real e efetivo através deles, do seu heroísmo e por vezes do seu sacrifício (como no rito do devotio, no qual os líderes se sacrificavam). O conquistador, na acima mencionada cerimónia do triunfo, vestia a insígnia do supremo Deus do Capitólio, como se fosse ele próprio uma imagem divina, e ia em procissão para colocar os láureos triunfais sobre as mãos deste Deus, como se o último fosse o verdadeiro conquistador.

Finalmente, uma das origens da apoteose triunfal, isto é, do sentimento que um númen imortal se encontrava escondido no Imperador, era indubitavelmente a experiência do guerreiro: o Imperador era originalmente o líder militar, aclamado no campo de batalha no momento da vitória: neste momento, ele aparecia transfigurado por uma força dos cimos, terrível e maravilhosa, que impunha precisamente a impressão do numen. Esta visão, permita-se-nos acrescentar, não é particular a Roma, mas encontra-se através de toda a antiguidade Mediterrânica Clássica, e não se restringia aos vencedores da guerra, mas por vezes também se aplicava aos vencedores dos Jogos Olímpicos e às sangrentas lutas do circus. Na Hélade o mito dos heróis emergiu com as doutrinas místicas, como o Orfismo, que significativamente unia o caráter do guerreiro vitorioso ao do iniciado, que conquistavam a morte, no mesmo simbolismo.

Estas são indicações precisas de um heroísmo e de um sistema de valores que se desenvolveram por diversas vias espirituais mais ou menos conscientes, caminhos santificados não apenas pela gloriosa conquista material que mediavam, mas também pelo facto de que representavam uma espécie de evocação ritual envolvendo a conquista do intangível.

Vamos considerar algumas das evidências desta tradição, a qual, pela sua própria natureza, é metafísica: elementos como a ‘raça’ não podem portanto possuir mais do que um lugar secundário e contingente. Dizemos isto porque, no nosso próximo artigo, pretendemos lidar com a ‘guerra santa’ praticada pelos guerreiros do ‘Sacro Império Romano-Germânico’. Essa civilização, como é bem sabido, representa um ponto de convergência criativa entre vários componentes: Romano, Cristão e Nórdico.

Já discutimos as características relevantes do primeiro destes componentes (isto é, o Romano). O componente Cristão aparecerá com as características de um heroísmo cavaleiresco, supra-nacional, nas Cruzadas. O componente Nórdico falta ser indicado. Para evitar alarmar os nossos leitores desnecessariamente, afirmamos à partida que o que agora referimos tem, essencialmente, um caráter supra-racial, e não é portanto calculado para encorajar a tomada de posição de quaisquer povos autointitulados de ‘especiais’ contra outros. Para nos limitarmos a uma pista do que aqui queremos excluir, diremos que, surpreendente que possa parecer, no revivalismo nórdico mais ou menos frenético que hoje é celebrado, ad usum delphini, pela Alemanha Nacional Socialista, encontramos maioritariamente uma deformação e uma vulgarização das tradições nórdicas que existiram originariamente e como ainda podiam ser encontradas naqueles príncipes que consideravam ser uma grande honra poderem dizer de si mesmos que eram Romanos, apesar de partilharam a raça teutónica. Em vez, para muitos escritores racialistas de hoje, ‘nórdico’ veio a significar anti-romano e ‘romano’ veio a significar, mais ou menos, ‘judeu’.

Tendo dito isso, pensamos ser apropriado reproduzir esta significativa fórmula de exortação do guerreiro como encontrada na antiga tradição Celta: ‘Luta pela tua terra e aceita a morte se assim for necessário, já que a morte é a vitória e a libertação da alma’.

A expressão mors triumphalis na nossa tradição Clássica corresponde a este conceito. Relativamente à própria tradição Nórdica, é bem conhecido de todos o aspeto que se relaciona com o Valhalla, o lugar da imortalidade celestial, reservada à divina estirpe ‘livre’ e aos heróis caídos no campo de batalha (‘Valhalla’ significa literalmente ‘do palácio dos escolhidos’). O Senhor deste lugar simbólico, Ódin ou Wotan, aparece no Ynglingasaga como o que, pelo seu auto-sacrifício simbólico na ‘Árvore do Mundo’, mostrou aos heróis como chegar à estadia divina, onde eles habitam eternamente num pico luminoso, que se mantém sob a perpétua luz solar, acima de qualquer nuvem. De acordo com esta tradição, nenhum sacrifício ou forma de oração era mais apreciada pelo Deus supremo, e rica em frutos supra-mundanos, que aquela realizada pelo guerreiro que luta e cai no campo de batalha. Mas isto não é tudo. Os espíritos dos heróis caídos juntam as suas forças à falange daqueles que assistem os ‘heróis celestiais’ que combatem no Ragnarökk, isto é dizer, o destino do ‘escurecimento do divino’, que, de acordo com esses ensinamentos, e também de acordo com os Helenos (Hesíodo), tem ameaçado o mundo desde tempos imemoriais.

Veremos este motivo a reaparecer, sob diversas formas, nas lendas medievais que se relacionam com a ‘última batalha’ que o imperador imortal lutará. Aqui, para ilustrar a universalidade destes elementos, apontaremos a similitude entre estas conceções nórdicas (as quais, diga-se de passagem, Wagner tornou irreconhecíveis por meio do seu preguiçoso e bombástico romanticismo teutónico característico) e as antigas conceções iranianas e mais tarde persas. Muitos ficam espantados ao ouvir que as bem conhecidas Valquírias, que escolhem as almas dos guerreiros destinados ao Valhalla, são apenas a personificação transcendental de partes dos próprios guerreiros, partes que encontram o seu equivalente exato nas Fravashi, das quais as tradições iraniano-persas falam – as Fravashi, também representadas como mulheres de luz e virgens retumbantes de batalha, que personificam mais ou menos as forças sobrenaturais pelo meio das quais as naturezas humanas dos guerreiros ‘fieis ao Deus da Luz’ se transfiguram e trazem vitórias terríveis, esmagadoras e sangrentas. A tradição iraniana também inclui a conceção simbólica de uma figura divina – Mitra, descrita como o ‘guerreiro que nunca dorme’ – que, à cabeça dos seus fiéis Fravashi, luta contra os emissários do negro deus até ao retorno do Saoshyant, Senhor de um futuro reino de paz ‘triunfante’.

Estes elementos da antiga tradição Indo-Europeia, na qual são recorrentes os motivos da sacralidade da guerra e do herói que não morre realmente mas que se torna parte de um exército místico numa batalha cósmica, tiveram um efeito percetível em vários elementos do Cristianismo – pelo menos naquele Cristianismo que podia realisticamente adotar a divisa: visa est militia super terram, e reconhecer não apenas a salvação através da humildade, caridade, esperança e o resto, mas também – ao incluir o elemento heroico do nosso caso – de que ‘o Reino do Céu pode ser tomado pela força’. É precisamente esta convergência de motivos que dá nascimento à conceção espiritual da ‘Grande Guerra’ peculiar à idade medieval, que discutiremos no nosso próximo artigo na ‘Diorama’, onde lidaremos mais de perto com o aspeto interior, individual, mas não menos pertinente destes ensinamentos.


Tuesday, November 14, 2017

As Formas do Heroísmo Guerreiro




É com grande prazer que iniciamos hoje a tradução de três artigos de Julius Evola para o português sobre a temática da guerra e da sua significação espiritual.

Esta iniciativa vem na esteira de algumas discussões tidas ultimamente sobre as influências pré-cristãs na Europa Ocidental, em geral, e na Idade Média, em particular. E é de facto inegável que se a Europa pode ser considerada Cristã há mais de 1500 anos - se tomarmos em conta o ano de 323 como o da adoção formal do Cristianismo como religião oficial do Império Romano – é inegável que permaneceram um conjunto de mitos, éticas, instituições, comportamentos, etc. que, fazendo parte fundamental da herança europeia, não são reconduzíveis de modo algum a essa herança confessional.

Uma dessas heranças é sem margem de dúvida a da Cavalaria, que, encontrando o seu apogeu na época das Cruzadas, permeou pelas suas instituições e espírito o ambiente Europeu da Idade Média de forma marcante. Quais as origens antigas desta instituição? Donde podemos ir buscar a génese do espírito guerreiro de que estas Ordens se encontravam imbuídas? Mais importante, em que outras alturas e latitudes se podem encontrar exemplos e formas talvez ainda mais puras deste espírito?

Estas e outras questões sobre este tema, Julius Evola foi dando resposta em diversos artigos ao longo da sua vida, tendo alguns deles sido compilados em 2011 pela editora Arktos, no livro Metaphysics of War. Os três artigos aqui traduzidos do inglês, foram originalmente publicados em 1935 na revista Diorama, e debruçam-se, respetivamente, sobre os tipos de heroísmo guerreiro, o sentido sagrado da guerra para os antigos romanos e o significado espiritual das Cruzadas.

Em baixo deixamos a tradução das ‘Formas de Heroísmo Guerreiro’, onde Evola nos fornece uma descrição das tipologias do heroísmo, recorrendo à sua conceção da involutiva regressão das castas. Aqui, a conceção da guerra, a sua significação íntima e respetivas possibilidades irão acompanhar esse retrocesso quadripartido que, partindo de uma civilização cujo centro é domínio por uma elite espiritual e divina, degenera ultimamente numa civilização em que o elemento preponderante é dominado pelos interesses da casta dos escravos.

Última nota relativa à referência ao Fascismo feita por Evola. Se por esta altura ele ainda tinha esperanças em moldar o regime italiano com vista à restauração de um novo Império Romano, tal em breve deu lugar à desilusão, que, diga-se, não o impediu de se mostrar presente em alturas críticas, nomeadamente durante a República de Saló, mais por dever de lealdade guerreia deste espírito khsatriya do que por questões de afinidade ideológica ou política.
  

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O princípio fundamental subjacente a todas as justificações da guerra, do ponto de vista da personalidade humana, é o ‘heroísmo’. A guerra, é dito, oferece ao homem a oportunidade de acordar o herói que dorme dentro dele. A guerra quebra a rotina da vida confortável; por meio das provações árduas, ela oferece um conhecimento transfigurador da vida, vida de acordo com a morte. O momento em que o indivíduo consegue viver como um herói, mesmo que nos momentos finais da sua vida terrena, pesa infinitamente mais na escala dos valores que uma existência prolongada, usada no monótono consumo das trivialidades citadinas. Duma perspetiva espiritual, estas possibilidades compensam as tendências negativas e destrutivas da guerra, que são tendenciosamente acentuadas pelo materialismo pacifista. A guerra obriga a que o indivíduo se aperceba da relatividade da vida humana e também da lei de ‘mais que a vida’ e portanto a guerra tem sempre um valor anti-materialista, um valor espiritual.

Tais considerações têm mérito indisputável e cortam com as tagarelices do humanitarismo, com o sentimentalismo grisalho, com os protestos dos campeões dos ‘princípios imortais’, e com a ‘Internacional’ dos heróis da caneta. No entanto, deve ser considerado que, em ordem para totalmente definir as condições sob as quais o aspeto espiritual da guerra se torna visível, é necessário examinar o assunto mais profundamente e definir uma espécie de ‘fenomenologia da experiência guerreira’, distinguindo várias formas e ordenando-as hierarquicamente para salientar o aspeto que deve ser considerado a epítome da experiência heroica.

Para chegar a este resultado, torna-se necessário recordar a doutrina com a qual os leitores habituais da ‘Diorama’ já estarão familiares, a qual – tenha-se em mente – não é produto de qualquer construção particularista, pessoal ou filosófica, mas antes uma ideia real, de natureza positiva e objetiva. É a doutrina da hierárquica quadripartição, que interpreta a história mais recente como a de uma queda involuntária de cada um dos quatro degraus hierárquicos para o próximo. Este quadripartição – deve ser recordado – é a que, nas civilizações tradicionais, deu origem a quatro castas distintas: os escravos, a classe-média burguesa, a aristocracia guerreira, e os portadores de uma autoridade pura, espiritual. Aqui, ’casta’ não significa – como a maior parte assume – algo artificial e arbitrário, antes o ‘lugar’ onde indivíduos, partilhando da mesma natureza, o mesmo tipo de interesse e vocação, a mesma qualificação primordial, se juntam. Uma ‘verdade’ específica, uma função específica, define as castas, no seu estado normal, e não vice-versa: esta não é portanto um assunto relativo a privilégios e modos de vida que são monopolizados com base numa constituição social mais ou menos mantida de modo artificial e inatural. O princípio subjacente por detrás de todas as instituições formativas em tais sociedades, pelo menos nas suas formas históricas mais autênticas, é a de que não existe um simples e universal modo de viver a vida individual, mas vários caminhos espirituais distintos, respetivamente apropriados ao guerreiro, à burguesia e ao escravo, e que, quando as funções sociais e repartições             correspondem de facto a esta articulação, existe – de acordo com uma expressão clássica – uma ordem secundum equum et bonum.

A ordem é ‘hierárquica’ no que implica uma dependência natural dos modos inferiores de vida aos modos superiores – e, de acordo com a dependência, cooperação; a tarefa do superior é a de obter expressão e personalidade numa base puramente espiritual. Apenas tais casos, nos quais esta direta e normal relação de subordinação e de cooperação existem, são saudáveis, como é tornado claro pela analogia do organismo humano, que se torna enfermo se, por qualquer hipótese, o elemento físico (escravos) ou o elemento vegetativo da vida (burguesia) ou aquela da vontade animal incontrolada (guerreiros) tomar a primazia e o lugar guia da vida de um homem, e é saudável apenas quando o espírito se constitui no ponto de referência central e último das restantes faculdades, às quais, no entanto, não é negada uma autonomia parcial, com vidas e direitos subordinados próprios dentro da unidade do todo.

Aqui não falamos de uma qualquer antiga hierarquia, mas acerca da ‘verdadeira’ hierarquia, o que significa que o que se situa acima e governa é realmente o que é superior, é necessário referirmo-nos a sistemas de civilizações que, no centro, contém uma elite espiritual, e onde os modos de vida dos escravos, da burguesia e dos guerreiros derivam o seu significado último e suprema justificação pela referência ao princípio que é a herança específica desta elite espiritual, e manifestam este princípio na sua atividade material. No entanto, chega-se a um estado anormal se o centro se move, pelo que o ponto de referência fundamental, em vez de ser o princípio espiritual, é o da casta servil, a burguesia ou os guerreiros. Cada uma destas castas manifesta a sua própria hierarquia e um certo código de cooperação, mas cada uma é mais perversa, mais distorcida, e mais subversiva que a última, até o processo chegar ao seu limite – isto é, um sistema no qual a visão de vida característica dos escravos tudo orienta e se imbui em todos os elementos sobreviventes do conjunto social.

Politicamente, este processo involuntário é bastante visível na história Ocidental, e pode ser rastreado até aos tempos mais recentes. Estados do tipo aristocrático e do tipo sagrado foram sucedidos por Estados monárquico-guerreiros, em larga medida já secularizados, que por sua vez foram substituídos por estados governados por oligarquias capitalistas (casta burguesa ou mercantil) e, finalmente, temos assistido a tendências em direção a estados socialistas, coletivistas e proletários, que culminaram no Bolchevismo russo (a casta dos escravos).

Este processo é igualável às transições de um tipo de civilização para outro, de um significado fundamental de vida para outro. Em cada fase, todo o conceito, todo o princípio, toda a instituição assume uma significação diferente, refletindo a mundivisão da casta predominante.

Isto também se aplica à ‘guerra’, e portanto podemos lançar-nos à tarefa a que originalmente nos comprometemos, de especificar as variedades de significado que a batalha e a morte heroica podem adquirir. A guerra tem uma face diferente, em concordância com a sua colocação sob o signo de uma ou doutra casta. Enquanto no ciclo da primeira casta, a guerra foi justificada por motivos espirituais, e claramente mostrava o seu valor como uma via para a realização espiritual e para a obtenção da imortalidade pelo herói (este sendo o motivo da ‘guerra sagrada’), no ciclo das aristocracias guerreiras eles lutavam pela honra e poder de um príncipe específico, ao qual mostravam uma lealdade que era voluntariamente associada ao prazer da guerra pela guerra. Com a passagem do poder para as mãos da burguesia, houve uma profunda transformação; nesta altura, o conceito de nação materializou-se e democratizou-se e uma conceção antiaristocrática e naturalista de pátria é formada, pelo que o guerreiro é substituído pelo soldado-cidadão que luta simplesmente pela defesa e conquista da terra; as guerras, no entanto, geralmente mantém-se maliciosamente guiadas por motivos supremacistas ou por tendências fundadas dentro da ordem económica e industrial. Finalmente, a última etapa, na qual a liderança para as mãos dos escravos, já foi possível realizar – no Bolchevismo – outro significado de guerra, que encontra expressão nas, características palavras de Lenine: ‘A guerra entre as nações é um jogo infantil, preocupado que está pela sobrevivência da classe média que não nos interessa. A verdadeira guerra, a nossa guerra, é a da revolução mundial com vista à destruição da burguesia e ao triunfo do proletariado’.

Dado tudo isto, é óbvio que o termo ‘herói’ é um denominador comum que embarca tipos e significados muito díspares. A prontidão para morrer, para sacrificar a própria vida, poderá ser o único pré-requisito, do ponto de vista técnico e coletivista, mas também do ponto de vista do que hoje, bastante brutalmente, se tornou referido como ‘carne para canhão’. No entanto, é também óbvio que não é deste ponto de vista que a guerra pode reclamar qualquer valor espiritual verdadeiro em relação ao indivíduo, quando o último não aparece como ‘carne’ mas antes como personalidade – como o é na perspetiva romana. Este último ponto de vista é apenas possível desde que exista uma relação dupla dos meios em relação aos fins – isto é dizer, quando, por um lado, o indivíduo aparece como um meio com respeito a uma guerra e aos seus fins materiais, mas, simultaneamente, quando uma guerra, por sua vez, é um meio para o indivíduo, como uma oportunidade de um caminho para o fim da sua realização espiritual, favorecida pela experiência heroica. Existe então uma síntese, uma energia e, com ela, uma eficiência mais elevada.

Se prolongamos esta cadeia de pensamento, torna-se bastante claro, do que foi dito, que nem todas as guerras contêm as mesmas possibilidades. Isto por via de analogias, as quais não são meras abstrações, mas que atuam positivamente ao longo de vias invisíveis para a maior parte das pessoas, entre o caráter predominante nos vários ciclos de civilização e o elemento que corresponde a este caráter no todo da entidade humana. Se, nas eras dos mercadores e dos escravos, triunfam forças que correspondem às energias que definem a parte pré-pessoal, física, instintiva, ‘telúrica’ e vital-orgânica, então, nas eras dos guerreiros e dos líderes espirituais, forças encontram expressão que correspondem, respetivamente, ao que no homem é caráter e personalidade volitiva, e o que nele é personalidade espiritualizada, personalidade realizada de acordo com o seu destino sobrenatural. Por causa de todos os fatores transcendentes que nelas se levantam, é óbvio que, numa guerra, a maioria não pode coletivamente submeter-se a um despertar, correspondente mais ou menos à influência predominante dentro da ordem das causas que foram as mais decisivas para a eclosão daquela guerra. Individualmente, a experiência heroica leva então a diferentes pontos de chegada: mais precisamente, a três pontos primários.

Estes pontos correspondem, basicamente, aos três tipos possíveis de relação nos quais a casta guerreira e o seu princípio podem encontrar-se com respeito às outras manifestações já consideradas. No estado normal, eles estão subordinados ao princípio espiritual, e então desperta-se um heroísmo que guia à supra-vida, à supra-personalidade. O princípio guerreiro pode, no entanto, construir a sua própria forma, recusando reconhecer qualquer coisa superior a si própria, e então a experiência guerreira toma uma qualidade que é ‘trágica’: insolente, temperamento de aço, mas sem luz. A personalidade mantem-se, e reforça-se, mas, ao mesmo tempo, também o limite constituído pela sua natureza naturalística e simplesmente humana. No entanto, este tipo de ‘herói’ mostra uma certa grandeza, e, naturalmente, para os tipos hierarquicamente inferiores ao guerreiro, i.e., os tipos burguês e escravo, esta guerra e este heroísmo já se tornam em superação, elevação, realização. O terceiro caso envolve um princípio guerreiro degradado, que passou ao serviço dos elementos hierarquicamente inferiores (as castas abaixo de si). Em tais casos, a experiência heroica encontra-se unida, quase fatalmente, a uma evocação, e a uma erupção, de forças instintivas, sub-pessoais, coletivas, irracionais, pelo que ocorre, basicamente, uma lesão e uma regressão da personalidade do indivíduo, que só pode viver a vida de modo passivo, guiado tanto pela necessidade ou pelo poder sugestivo de mitos ou de impulsos impetuosos. Por exemplo, as notórias histórias de Remarque refletem apenas possibilidades deste último tipo; elas recontam as histórias de tipos humanos que, levados para a guerra por falsos idealismos, pelo menos apercebem-se que a realidade é algo de muito diferente – eles não se tornam vulgares, nem desertores, mas tudo que os impele em frente através dos testes mais terríveis são forças elementares, impulsos, instintos e reações, nas quais não resta muito de humano e que não conhecem qualquer momento de luz.

Numa preparação para a guerra que não deve ser apenas material, mas também espiritual, é necessário reconhecer tudo isto com uma visão clara e inabalável em ordem a ser permitido orientar as almas e as energias em direção a uma solução mais elevada, a única que corresponde aos ideias dos quais o Fascismo recolhe a sua inspiração.

O Fascismo aparece-nos como uma revolução construtiva, no que afirma um conceito aristocrático e espiritual de nação, contra ambos o coletivismo socialista e internacionalista, e a noção democrática e demagógica de nação. Em adição, o seu desprezo pelo mito económico e a elevação da nação na prática ao grau de ‘nação guerreira’, marca positivamente o primeiro grau desta reconstrução, que é a de subordinar os valores das antigas castas dos ‘mercadores’ e dos ‘escravos’ aos valores da casta imediatamente mais elevada. O próximo passo será o da espiritualização do próprio princípio guerreiro. O ponto de partida encontrar-se-á então presente para desenvolver uma experiência heroica no sentido mais elevado das três possibilidades acima mencionadas. Para entender como tal possibilidade mais elevada e espiritual, que foi efetivamente experimentada nas maiores civilizações que nos precederam, e que, para falar verdade, é o que nos mostra o seu caráter constante e universal, é mais do que erudição estudiosa. Tal é o que com iremos lidar nos nossos próximos escritos, nos quais nos focaremos essencialmente nas tradições peculiares à Romanidade antiga e Medieval.


Sunday, September 3, 2017

Génese e Fisionomia do Mundo Moderno

Informo os meus caros leitores que ontem iniciei o upload no youtube do áudio da segunda parte da obra 'Revolta Contra o Mundo Moderno', intitulada ''Génese e Fisionomia do Mundo Moderno'.

Nesta segunda e última secção, Evola, partindo dos estados humanos originários, descreve-nos as principais civilizações humanas, desde as mais antigas e míticas até ao tipo de sociedade atual, dita 'moderna', que mais não é que a contrafação da civilização digna de esse nome. 

Pelo caminho, são detalhados os diferentes processos degenerativos - hoje ditos 'evolutivos' - que permitiram a queda de um estado de originária perfeição e comunhão com o Uno a um situação atual em que, podemos sem dúvida afirmar, o homem se encontra mais distante que nunca do Divino, nas fases finais daquela que será o último período deste ciclo cósmico, o Kali Yuga, a Idade do Ferro ou a Idade do Lobo, para emprestar expressões de diversas civilizações.

Para já, encontrarão, além  da curta introdução a este segunda parte, os três primeiros capítulos da mesma, intitulados, respetivamente: 'A Doutrina das Quatro Idades', 'A Idade do Ouro' e 'O Pólo e o Local Hiperbóreo'.




Saturday, September 2, 2017

Prefácio aos 'Protocolos dos Sábios do Sião'

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Traduzimos em baixo do inglês o prefácio escrito por Julius Evola à segunda edição, de 1937, da tradução para italiano dos Protocolos dos Sábios do Sião, publicados por Giovanni Preziosi.

Os Protocolos, tendo sido publicados pela primeira vez em 1903, têm sido alvos constantes de polémicas e horror, tanto por parte de partidários como dos seus detratores, estando no topo dos livros malditos do século XX, e cuja menção proscreve quem o faz a severas censuras, incluindo judiciais.

Menosprezado pela 'inteligência bem pensante' como uma mera falsificação, um libelo antissemítico que não merece o papel onde foi impresso e que é responsável pela contínua perseguição ao povo judaico, culminando no chamado holocausto da segunda guerra mundial; considerado por outros como a prova de que a história moderna é guiada por um conjunto de pessoas eleitas, os judeus neste caso, que manipulam os acontecimentos por detrás dos holofotes públicos e que guiam a humanidade a seu belo prazer - estas são as duas posições que geralmente são tomadas em relação a este documento, que ainda hoje no século XXI continua a exercer um fascínio inegável, tanto em detratores como em apologistas.

E não é curioso que, passado mais um século da sua publicação e da sua contínua condenação universal como uma mera teoria da conspiração, existam ainda hoje grandes setores da humanidade, que mesmo não conhecendo ou só tendo ouvido falar superficialmente dos Protocolos, continuam a acreditar nas mais variadas teorias da conspiração sobre acontecimentos que marcaram a recente história humana (JFK, ida do homem à lua, 11 de Setembro, etc.)? O que há por detrás desse pressentimento de que a história da humanidade não é um fruto do acaso, de que existem forças mais ou menos materiais ou pessoais, que nos guiam e que controlam o que acontece? Porquê os judeus figurarem em destaque na maior parte delas?

 Aqui, Evola, evitando os dois campos extremos, reconhece por um lado o fato inegável que muitas das ações previstas nos Protocolos se terem realizado literalmente passado poucas décadas; por outro, não embarca na fácil posição antissemita que vê o judeu por detrás de todas os acontecimentos, a maquinar em concílio a destruição da humanidade.

Num tema tão denso e profundo, Evola enfatiza que os métodos historicistas e positivistas são de pouca valia para a compreensão deste documento, no sentido de conseguir uma 'prova' que cabalmente prove uma conspiração. Chama também a atenção para o facto de o ser judaico, por milénios já assimilado a forças cósmicas destrutivas, ser um instrumento de um conjunto de poderes espirituais subversivos, que consciente ou inconscientemente os servem. Quem nos garante que o próprio judeu não seja descartado por elas, quando a sua função tiver sido finalizada?

Que todos aqueles que têm a intuição que a chamada 'história' tem um sentido e que não existem 'acasos' no mundo terreno que não estejam ligados a forças espirituais, este texto ajudará a dar um contexto mais específico a acontecimentos da história recente e a inseri-los na linha descendente que a humanidade tem seguido e que se mantém nos dias de hoje, com cada vez menos possibilidades de inversão. Quanto aos novatos, que nunca tomaram contato com este texto ou com interpretações alternativas à chamada 'história oficial', esperemos que funcione para acicatar o tal 'pressentimento' de que os nosso modos de pensar e atuar talvez não sejsa assim tão livres e que em vez de sujeitos, podemos não passar de meros objetos da história.

Para tal, recomendamos a leitura dos Protocolos, numa qualquer das versões que existem e que são facilmente descarregáveis na internet.

Antes do prefácio, deixamos também a introdução que precede o mesmo na edição em inglês, para fornecer mais contexto ao leitor.

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Os ‘Protocolos dos Sábios do Sião’ alegam ser o relato detalhado de vinte e quatro encontros Judeo-Mações, durante os quais um ‘Sábio do Sião’, o líder de uma organização política judaica internacional, guiada por um ódio insaciável e inextinguível pela Cristandade, se dirige aos líderes da comunidade judaica para apresentar um plano maquiavélico de conquista mundial. As primeiras nove ‘conferências’ consistem numa análise dos meios usados para levar a cabo o plano, que consiste na destruição dos estados-nações monárquicos e outros através de guerras, revoluções e ideologias desintegrativas como o liberalismo, socialismo, comunismo, anarquismo e democratismo – todas as quais os judeus, que consideram a política como uma arte subtil e sublime, detestam. As últimas quinze ‘conferências’ descrevem o superestado que será criado sobre as ruínas da ordem tradicional.

Originalmente escritos em francês, num ‘francês pobre’, os ‘Protocolos dos Sábios do Sião’ foram primeiro publicados em 1903 sob o título ‘Programa Judeu para Conquista Mundial’, no jornal de São Petersburgo Znamjo, que era editado por um homem tido por antissemita. Em 1905, o místico russo Alexandrovitch Nilus publicou uma versão alargada do documento e é esta versão que se tornou a ‘clássica’. A sua fama começou depois da revolução bolchevique, mas não em círculos bolcheviques: todas as cópias que se sabiam existir na Rússia foram destruídas durante o regime de Kerensky, e, durante os seus sucessores, a posse de uma cópia dentro do território soviético era um crime suficiente para assegurar que o seu dono seria abatido a tiro no local. De 1918 a 1920, muitas edições novas circulavam entre os exércitos brancos que combatiam o poder do regime comunista na Rússia. Elas espalharam-se via emigração russa e foram traduzidos para outras línguas europeias. Em 1920, os ‘Protocolos’ foram publicados em francês, em Paris, em húngaro em Viena, e em inglês, em Boston e Londres: em Maio de 1920, num artigo intitulado ‘O Perigo Judeu. Um panfleto perturbador: uma chamada para investigação’, o London Times assegurou a sua autenticidade, apesar de tal já ter sido questionado por fontes variadas, como este influente jornal reconheceu poucos meses mais tarde. A tradução italiana foi traduzida e publicada no ano seguinte por Giovanni Preziosi.

Foi republicado por Preziosi 17 anos mais tarde, em 1938, com o prefácio de Julius Evola, que tinha escrito artigos sobre o problema judaico para o jornal de Presiozi Vita Italiana durante vários anos por esta altura. Entre estes artigos, havia uma descrição dos procedimentos instituídos em 1933 em Berna pelas organizações da comunidade judaica locais, contra um homem que tinha posto a circular cópias da edição alemã dos ‘Protocolos dos Sábios do Sião’ durante um encontro da Frente Nacional Suiça (“Il processo di Berna e l'autenticità dei "Protocoli", Outubro, 1937). Neste artigo Julius Evola também examinou a questão da autenticidade deste documento; no artigo “La Volontà di potenza ebraica e l'autenticità dei "Protocolli" (Dezembro de 1937), ele mostrou que “o espírito da mais ortodoxa tradição judaica com respeito à vontade de dominação mundial inerente na ideia messiânica israelita” está refletida nos ‘Protocolos’. Na primeira parte do seu prefácio ao ‘I Protocolli dei Savi Anziani di Sion’, ele sumarizou a visão expressa na primeira e desenvolveu as ideias expostas no último; elas são suplementados, na sua segunda parte, por uma análise, tanto do ponto de vista teórico como prático, da influência do espírito judaico nos campos económico e principalmente cultural, que ecoa passagens dos seus ‘Três Aspetos do Problema Judaico’ e do ‘Apresentação do Problema Judaico’, enquanto as partes que tratam das questões sobre a génese destrutiva do Judaísmo, da ‘Lei’ e revolução, do ódio judaico, e das formas modernas de manifestação do Judaísmo, podem ser consideradas como antecipações do nono capítulo do seu livro ‘O mito do sangue’. A questão dos ‘Protocolos’ foi também examinada no ‘Homem entre as Ruínas.’


Prefácio aos “Protocolos dos Sábios do Sião”, por Julius Evola

A importância deste documento, que a Via Italia acabou de reimprimir, não pode ser suficientemente enfatizada. Ele apresenta uma ‘motivação’ espiritual como poucos outros, ele revela horizontes insuspeitos e chama atenção para problemas fundamentais relacionados com ação e conhecimento, os quais não podem ser negligenciados ou adiados, especialmente nestas horas decisivas na história do Ocidente, sob pena prejudicar gravemente a ofensiva daqueles que lutam em nome do espírito, da tradição e da verdadeira civilização.

Dois aspetos, particularmente, exigem atenção nos ‘Protocolos’. O primeiro relaciona-se com a questão judaica diretamente. O segundo tem uma importância mais geral e leva-nos a tratar a questão das verdadeiras forças a atuar na história. Para o leitor entender completamente o que aqui dizemos, pensamentos que é conveniente trazer à liça certas considerações essenciais para uma boa orientação neste assunto.

Para este propósito, é necessário examinar o famoso problema da ‘autenticidade’ do documento, sob a qual certos partidos tentaram tendenciosamente focar toda a atenção do público, só por intermédio da qual tentaram determinar a importância e a validade do texto. Este método é na realidade verdadeiramente infantil1. Obviamente, pode-se simplesmente negar a existência de uma força diretiva secreta por detrás dos eventos históricos. Mas não se pode admitir, mesmo como mera hipótese, que qualquer coisa desse género exista, sem reconhecer que deve-se tornar necessário realizar um tipo de investigação muito diferente do que aquele que é baseado em ‘evidências documentárias’ no senso comum do termo. Aqui, como foi corretamente apontado por Guénon, cabe o ponto fundamental, o qual põe a questão da ‘autenticidade’ em perspetiva: o facto é que nenhuma organização secreta verdadeiramente séria e verdadeira, qualquer que seja a sua natureza, deixa um rasto de ‘documentos’ escritos. Será só por intermédio de um processo indutivo que a importância de textos como os ‘Protocolos’ pode ser determinada. Isto significa que o problema da sua ‘autenticidade’ é secundário ao mais sério e essencial problema da sua ‘veracidade’, como já foi enfatizado por Giovani Preziosi quando os publicou pela primeira vez há dezassete anos atrás. A conclusão séria e positiva de toda a controvérsia que se desenvolveu desde então, mesmo que assumamos os ‘Protocolos’ como não ‘autênticos’ no sentido estrito, é a mesma coisa como se eles os fossem, por duas decisivas e capitais razões:
1)        Porque os factos mostram que eles descrevem verdadeiramente o verdadeiro estado dos acontecimentos;
2)        Porque a sua correspondência com o corpo de ideias do Judaísmo tradicional e moderno é indisputável.

Como o julgamento de Berna provocado pelos ‘Protocolos’ foi expansivamente falado, devemos descrevê-lo aqui, para que o leitor saiba onde se situa e para que não se deixe influenciar pela cobertura tendenciosa do mesmo. O julgamento de Berna foi na verdade apenas uma manobra por parte do Judaísmo tradicional, que pretendia usar o sistema de justiça suíço, ou, para o pôr melhor, a ‘justiça’ marxista suíça, para obter uma espécie de determinação oficial legal da não-autenticidade do documento que tanto transtorna Israel. Que foi realmente apenas uma manobra torna-se claro pela mesma impossibilidade de lá se levantar a questão da autenticidade dos ‘Protocolos’. Basicamente, o tribunal de Berna admitiu a queixa feita por certas comunidades israelitas contra um certo Silvio Schnell, que tinha distribuído algumas cópias da edição alemã dos ‘Protocolos’ num encontro nacionalista, com base no artigo catorze da lei do Cantão de Berna sobre literatura subversiva e imoral. Partindo desta base, de um ponto de vista estritamente legal, o tribunal de Berna não deveria ter tomado qualquer interesse sobre o problema da autenticidade dos ‘Protocolos’, mas deveria simplesmente ter decidido se os ‘Protocolos’, independentemente da sua veracidade ou falsidade, eram ou não repreensíveis de acordo com a lei acima mencionada, eram conducentes a incitar uma parte da população suíça contra a outra. O Judaísmo no entanto distorceu este requerimento ao focar a atenção sobre o problema da autenticidade, em ordem a atingir a conclusão desejada. Neste respeito, aqui está uma declaração significativa do grande Rabi de Estocolmo: “Este não é um processo contra Schnell e os seus amigos, mas um de todos os israelitas do mundo contra os seus detratores. Setenta milhões de judeus têm os seus olhos fixos em Berna”.

Depois de um ano de procedimentos, o tribunal de primeira instância acabou por condenar Schnell, pelo que os judeus alegremente inferiram que se tinham visto livres dos ‘Protocolos’. Este triunfo foi de pouca dura. Em Novembro de 1937, o tribunal de apelação de Berna anulou a sentença prévia, exonerou Schnell, ordenou as queixosas comunidades judaicas a pagar custos e declarou-se incompetente para ajuizar da questão da autenticidade dos ‘Protocolos’.

Mas a questão da autenticidade já tinha sido levantada no primeiro julgamento. Quais foram os resultados? Mais uma vez, negativos. A frente judaica tentou atingir os seus objetivos essencialmente por dois meios: por testemunhos falsos e pela tese de ‘plagiarismo’. Como aqui não podemos entrar em detalhes, vamo-nos limitar aos seguintes comentários: uma certa Sra. Kolb, previamente condenada por fraude e falsificação como “Príncesa Radziwill”, declarou, numa deposição habilmente urdida em conjunção com uma amiga e um certo Conde de Chayla – uma personagem mais que suspeita, um paranoico, aventureiro e traidor, uma vez condenado à morte, depois perdoado – que os ‘Protocolos’ foram escritos em Paris por volta de 1905 por três agentes da polícia secreta russa, com a intenção de atiçar uma campanha de publicidade antissemítica. No entanto, os ‘Protocolos’ foram demonstrados ter estado na posse de um certo Stepanoff, em 1895, e de Nilus, em 1902, e de terem sido publicados todos no jornal russo ‘Znamja’, em 1903, isto é, dois anos antes da sua suposta compilação em Paris! Acrescente-se, foi provado que nenhum dos três russos nomeados, a saber, Ratchkovsky, Manuellov e Golovinsky, estavam em Paris quando, de acordo com a Sra. Kolb, eles supostamente “inventaram” os ‘Protocolos’.

O outro meio de ataque foi a acusação de ‘plagiarismo’. Um equívoco sério nasceu aqui. Basicamente, o problema do valor dos ‘Protocolos’ é bastante diferente daquele que poderá surgir em relação a um trabalho de literatura, o qual poderia ser resolvido pela examinação da sua originalidade e do direito de alguém se considerar o seu autor. Aqui, a questão é totalmente diferente. O ‘Times’ já tinha levantado a questão do plagiarismo em 1903, ao apontar que o texto copia ideias e frases de um panfleto publicado em 1864 por um certo Joly (o próprio um meio-judeu, revolucionário e pedreiro-livre) sobre os métodos usados numa política maquiavélica de dominação. Esta correspondência, ou este ‘plagiarismo’, é real e não é limitada ao trabalho de Joly, mas aplica-se a outras obras então existentes. No entanto, o que tal nos diz? Em decidir se os ‘Protocolos’ correspondem a um programa de dominação mundial de uma organização oculta, não faz diferença se o autor os compôs e escreveu-os de início ao fim, ou se, no curso da sua composição, também usou ideias e elementos de outros trabalhos, criando então, sob o ponto de vista literário, um ‘plagiarismo’. A controvérsia antissemítica já trouxe à luz toda uma série de ‘fontes’ ou antecedentes dos ‘Protocolos’, os quais no geral tiveram a sua inspiração de uma única corrente de ideias e refletem, frequentemente numa forma ‘ficcionalizada’, a consciência confusa de uma verdade. A verdade é que toda a orientação do mundo moderno conforma-se a um plano pré-estabelecido, como se implementada por uma organização misteriosa.

Então, o problema da ‘autenticidade’ traz-nos de volta de novo ao do da ‘veracidade’. No que concerne à ‘autenticidade’, o resultado do julgamento de Berna é, como explicámos, negativo: a acusação não sucedeu em provar que os ‘Protocolos’ eram falsos. Mas, legalmente, a defesa não necessita de provar a autenticidade do documento impugnado; é à acusação que cabe provar a sua falsidade. Mas desde que, apesar de todos os esforços do Judaísmo – os testemunhos concertados, a tese de ‘plagiarismo’, os documentos tendenciosos fornecidos pelos soviéticos, as manobras que conseguiram tornar todos os documentos da defesa inadmissíveis (pelo menos em primeira instância), um relatório extremamente tendencioso do assessor Loosli, um notório filo-semita, e por aí em diante – eles não conseguiram provar a sua falsidade, a situação é clara e a questão da ‘autenticidade’ é liquidada, isto é, está uma vez mais subordinada a um teste duplo de carácter superior, que é, deixem-nos repetir de novo: 1) a prova dos factos; 2) a prova pela prova do espírito judaico.

Tendo dado estas clarificações, é agora possível passar ao conteúdo dos ‘Protocolos’.

Eles contêm o plano para uma guerra oculta, cujo objetivo é a total destruição, nos povos não-judaicos, de toda a tradição, classe, aristocracia e hierarquia e de todos os valores morais, religiosos ou supra-materiais. Com este fim em vista, uma organização internacional oculta, comandada por líderes reais plenamente conscientes dos seus objetivos e dos métodos a serem seguidos para alcançá-los, parecia por muito tempo ter exercido, e continuando a exercê-lo, uma ação unitária invisível, que constitui a fonte de todas as formas de corrupção da civilização e sociedade Ocidentais: liberalismo, individualismo, igualitarismo, pensamento livre, Iluminação antirreligiosa e várias adições, as quais, seguindo estas, trariam a revolta das massas e o próprio comunismo.

É importante notar que a absoluta falsidade de todas estas ideologias é expressamente reconhecida: elas são apresentadas como tendo sido criadas e propagadas apenas como instrumentos de destruição e, em relação ao Comunismo, os ‘Protocolos’ vão ao ponto de declarar: “Se nós fomos capazes de os trazer a tal estado de estúpida cegueira, tal não será prova, e uma prova incrivelmente clara, do grau de subdesenvolvimento em que a mente do GOYIM se encontra em relação à nossa? Isto é, essencialmente, o que garante o nosso sucesso”. (Protocolo XV).

Não só eles falam de ideologias políticas que terão de ser instiladas sem que alguém seja permitido a perceber os seus significados verdadeiros e os seus objetivos, mas eles também falam de uma ‘ciência’ criada com o propósito geral de desmoralização, e referências significativas são feitas à superstição cientista do ‘Progresso’, ao Darwinismo, ao Marxismo e à sociologia historicista, e por aí em diante. “Os Goyim já não são capazes de pensar, no campo da ciência, sem a nossa ajuda”, enquanto, uma vez mais, a falsidade de todas essas teorias é reconhecida (I, II, III, IV).

Em terceiro lugar, encontramos discussão sobre uma ação especificamente cultural: dominar os centros de ensino oficial, controlar, através do monopólio da imprensa popular, a opinião pública; espalhar nos chamados países de liderança uma literatura desenfreada e equívoca (XIV); provocar, portanto, como contraparte do derrotismo social, um derrotismo moral, a ser incrementado através de uma ataque sobre os valores religiosos e seus representantes, a ser levado a cabo, não direta e abertamente, mas por incitamento ao criticismo, suspeita e rumores desonrosos em relação ao clérigo (XVI, IV).

A ‘mercantilização’ da vida é indicada como sendo um dos principais meios de destruição; então, também, a necessidade de ter uma multidão de ‘economistas’ como instrumentos conscientes ou inconscientes dos chefes secretos. Quando os valores espirituais que foram a raiz da antiga autoridade foram destruídos e substituídos por cálculos matemáticos e necessidades materiais, todos os povos do mundo devem ser levados a uma guerra universal, na qual é assumido que cada seguirá os seus interesses próprios e que todos continuarão ignorantes do inimigo comum (IV); finalmente, é proposto o encorajamento de várias ideias de grupos competidores e, em vez atacá-los, utilizá-los na realização do plano global, para que a capacidade para providenciar apoio para as mais diversas conceções, da aristocrática e da totalitária até à anarquista ou socialista, seja reconhecida, desde que os efeitos contribuam para o objetivo comum (V, XII). A necessidade de destruir a vida familiar e a sua influência na educação espiritual é também reconhecida (X), assim como é a de tornar estúpidas as massas através do desporto e de distrações de todos os tipos e de acicatar as suas paixões e tendências irracionais até ao ponto no qual elas perdem todas a capacidade de discriminação (XIII).

Esta é a primeira fase da guerra oculta: o seu objetivo é criar um enorme proletariado, reduzir as populações a um amontoado de seres sem tradição e força interior. Então é proposta uma posterior ação, com base no poder do ouro. Os chefes secretos controlarão o ouro globalmente e, por esse meio, os povos já desenraizados, juntamente com os seus líderes aparentes, mais ou menos demagógicos. Enquanto que, por um lado, a destruição procederá através de venenos ideológicos, revoltas, revoluções e conflitos de todos os tipos, os mestres do ouro irão excitar crises na economia doméstica em todo o lado, com o intento de levar a humanidade a um tal estado de prostração, desespero e total desconfiança em relação a qualquer ideal ou sistema que a tornarão um objeto passivo nas mãos dos dominadores invisíveis, que se irão então manifestar e impor como chefes absolutos mundiais. O Rei de Israel estará à sua cabeça e a antiga promessa do Reino do ‘Povo Escolhido’ será atingida.

Esta á a essência dos ‘Protocolos’. O problema mais abrangente com o qual está ligado tem vários aspetos.

O judeu Disraeli uma vez escreveu estas significativas palavras: “O mundo é governado por personagens muito diferentes daquelas imaginadas pelas pessoas que não estão por detrás da cortina”. A importância dos ‘Protocolos’ consiste, primeiro e antes de tudo, em estimular a suspeita, o pressentimento, de que a história tem uma ‘terceira dimensão’, que uma ‘inteligência’ pode estar escondida atrás dos líderes aparentes e dos eventos e de que muitas das causas presumidas são apenas efeitos de uma influência subterrânea. O que os ‘Protocolos’ dizem sobre uma mentalidade pseudocientífica, criada somente com um pré-estabelecido plano em vista, é particularmente importante; a maneira ‘científica’ ou ‘histórica’ de olhar para a história acerta exatamente nesta descrição e tem como objetivo desviar sistematicamente a atenção do plano onde as causas verdadeiras entram em ação. Nada é mais significativo que esta passagem do Protocolo XV: “A mente puramente bruta do GOYIM é incapaz de uso para análise e observação, e ainda mais para prever para onde uma certa maneira de pôr uma questão pode tender. Nesta diferença na capacidade para pensamento entre o GOYIM e nós pode claramente ser discernido o selo da nossa posição como o Povo Escolhido e da nossa mais elevada qualidade de humanidade, em contraste com a mente bruta do GOYIM. Os seus olhos estão abertos, mas nada vêm à sua frente e não inventam (a não ser, talvez, coisas materiais). Disto é claro que a própria natureza destinou-nos a guiar e a dominar o mundo.” O mesmo protocolo enfatiza: “Porque os povos, em relação aos segredos da nossa política, são crianças, são eternamente menores, assim como os seus governos”.

Não é por acaso que a história recente nos mostrou as fases de um sistemático e progressivo trabalho de destruição espiritual, política e espiritual e, neste respeito, os ‘Protocolos’ oferecem-nos, para dizer o mínimo, o que um cientista chamaria uma ‘hipótese de trabalho’, ou seja, uma ideia básica cuja veracidade é confirmada pela sua capacidade de organizar, por via de pesquisa indutiva, um corpo de factos de outro modo aparentemente não relacionados e espontâneos, ao exibir a sua lógica e a sua direção única. Este é o segundo aspeto a tomar em conta.

O facto é que o conteúdo dos ‘Protocolos’, na sua primeira parte, que versa sobre as etapas e os meios da destruição, corresponde de uma maneira impressionante ao que se desenrolou, e continua a desenrolar, na história recente, como se os chefes dos vários governos, os líderes aparentes dos vários movimentos, e todos os que fizeram ‘história’ no século passado, fossem apenas os executores inconscientes de uma plano pré-estabelecido há muito tempo atrás, por esse texto ou por outros, como já mencionámos. É por isto que Hugo Wast (Oro, Buenos Aires, 1935, p. 20) escreveu: “Os ‘Protocolos’ podem ser falsos, mas estão a ser levados a cabo primorosamente”, e Henry Ford, no jornal World, 17 de Fevereiro, 19212, escreveu: “A única declaração que cabe fazer sobre os Protocolos é que eles encaixam no que se está a passar. Eles têm dezasseis anos de idade e encaixaram na situação mundial até aos dias de hoje. Eles encaixam hoje.” Henry Ford refere aqui a primeira edição, a de Nilus, mas a controvérsia antissemítica estabeleceu que eles datam até vinte anos antes e que o documento original foi conhecido por Bismarck. A própria história então prova a veracidade dos ‘Protocolos’ de uma maneira que as acusações dos seus oponentes não podem refutar, e que todas as dificuldades dos ‘espíritos positivos’ clamam encontrar, e que eles afirmam mudar os termos do problema, resultam não meramente de superficialidade mas de clara irresponsabilidade – não de “objetividade”, mas de preconceito.

Via capitalismo, a mentalidade do ghetto espalha-se às civilizações arianas, o que ao mesmo tempo estabelece a fundação para a revolta das massas trabalhadoras. De acordo com isto, os judeus, Marx, Lassalle, Kautsky e Trotsky, dão às massas as mais poderosas armas ideológicas, sob a forma de falsificações materialísticas do mito messiânico, sempre subordinando o movimento a um objetivo preciso: a destruição de todos os vestígios de verdadeira ordem e de civilização diferenciada. Táticas ocultas paralelas, com o mesmo fim, engendram os mais profundos conflitos internacionais e financeiros judeus armam extensivamente cada frente militarista, enquanto, por outro lado, a ideologia judeo-masónica do liberalismo e da democracia prepara coligações oportunas. O conflito mundial de 1914-18 estala, cuja verdadeira significação, de acordo com as declarações oficiais do Congresso Maçónico Internacional que foi realizado em Paris durante o Verão de 1917, foi a guerra santa da democracia, “a coroação do trabalho da Revolução Francesa” (sic), a qual teve em vista não esta ou aquela reclamação territorial, mas a destruição dos grandes impérios europeus e a formação da Liga das Nações como um omnipotente superestado demo-maçónico. O capitalismo judeu-americano financia a Revolução Russa (com a qual a aristocracia inglesa estava também envolvida) e como, com o colapso da Rússia, um primeiro objetivo é alcançado, a América intervém diretamente, sem qualquer razão manifesta, e os Impérios Centrais encontram o mesmo destino que o da Rússia.

Depois da guerra, as chamas revolucionárias acendem-se por todo o lado, tanto nas nações conquistadas como nas vitoriosas, e o poder do Judaísmo toma um fenomenal passo em frente, através da dívida universal, através de uma tirania secreta no estado soviético e através do controlo da opinião pública mundial e abrangente influência cultural. No entanto, já que os objetivos da revolta na Europa não são alcançados, eles passam a uma nova fase.

A Terceira Internacional abruptamente muda de táticas e alia-se, via Frentes Populares, com a Segunda Internacional e com as grandes democracias capitalistas, desmascarando assim a estrutura da guerra secreta. Depois do falhanço das sanções, todas estas coisas acontecem duma vez: os sovietes provocam a revolução em Espanha, aliam-se resolutamente com a França Judaico-Maçónica, e assumem, em cooperação com as políticas secretas antifascistas de Inglaterra, um papel orientador na Liga das Nações. Alianças decisivas são desta forma preparadas. O leitor irá encontrar uma excelente reconstrução da ‘guerra oculta’ no livro de Malinski e de de Poncins que é intitulado, precisamente, ‘La guerre occulte’ e no artigo na Vita Italiana: ‘Está Israel a provocar uma guerra?’. Este é de facto o prelúdio às fases finais do plano dos ‘Protocolos’. Na realidade, adotar como hipótese de trabalho as ideias essenciais deste manuscrito ‘apócrifo’ é encontrar um guia fiável para uma significação unitária mais profunda de todas os importantes levantamentos dos tempos recentes. É por isto que Adolf Hitler o considerou sem dúvida o meio mais poderoso de acordar o povo germânico3.

Podemos agora passar a outras considerações que demonstrarão a veracidade dos ‘Protocolos’, não só como sigillum veri, mas também como testemunho de uma influência especificamente judaica. Basicamente, mesmo assumindo que a subversão do Ocidente tem como seu fundo uma causalidade superior, temos ainda que provar estritamente que os judeus são verdadeiramente responsáveis por ela. Por outras palavras, mesmo assumindo que os ‘Sábios’ existem, temos de determinar se eles são na verdade ‘Sábios do Sião’, se desejamos ser insuspeitos de fazer uma interpretação tendenciosa, derivada meramente de apontar o judeu como responsável por toda e qualquer subversão e assim justificar uma campanha antissemítica extremista.

Esta é certamente uma questão legítima, mas só enquanto a pudermos perguntar em relação a uma organização que é ex hypothesi oculta. Na Maçonaria, até os mais altos dignatários desconhecem quem são exatamente os chamados ‘Superiores Desconhecidos’, aos quais devem obediência, quem são e os dos quais se podem até sentar ao lado sem serem capazes de os identificar. Não podemos portanto esperar produzir cartões de identidade autentificados dos ‘Sábios’  em ordem a colocar os problemas que advêm dos ‘Protocolos’ no contexto da questão judaica. Isto no entanto não nos impede de chegar a um ‘processo de evidência’ bastante preciso.

Comecemos por dizer que não podemos apoiar o tipo de antissemitismo fanático que vê o judeu em todos os lugares, como um deus ex machina, e que finalmente cai nesse tipo de ratoeira. De facto, como Guénon mencionou, um dos meios de defesa das verdadeiras forças ocultas consiste em chamar tendenciosamente toda a atenção dos seus adversários sobre pessoas que são apenas responsáveis parciais por determinadas perturbações, tornando-as então os bodes expiatórios sobre os quais todas as reações são apontadas, deixando-os então livres para continuar o seu jogo. Isto é verdade, num certo sentido, com respeito à questão judaica. Meramente notando o papel pernicioso do judeu na história da civilização não deve ofuscar uma investigação mais funda, a qual nos pode tornar conscientes de forças para as quais o Judaísmo foi, em certa extensão, apenas o instrumento.

Além disso, os ‘Protocolos’ frequentemente falam imprecisamente sobre Judaísmo e Maçonaria, pelo que um lê “conspiração Judaico-Maçónica”, a nossa dividida “Maçonaria”, e no final da primeira edição: “assinada por todos os representantes do Sião do grau 33”. Já que a teoria de que a Maçonaria é uma criação exclusiva e instrumento do Judaísmo é, por várias razões, impraticável – veja o nosso “As relações entre a Maçonaria e o Judaísmo”, na Vita Italiana, Junho de 1937, onde demonstramos que a judaização da Maçonaria ocorreu essencialmente no século dezoito – decorre que é necessário referir para uma muito maior estrutura de forças subversivas ocultas, as quais estamos até inclinados a pensar não é puramente humana. De mais, as principais ideologias indicadas pelos ‘Protocolos’ como sendo instrumentos de destruição, que de facto têm esse efeito histórico (liberalismo, individualismo, cientismo e racionalismo, etc.) são só os últimos elos numa cadeia de causas que são impensáveis sem antecedentes como, por exemplo, o humanismo, a Reforma, o Cartesianismo, todos os quais são fenómenos que ninguém pode seriamente imputar a uma conspiração judaica – exceto Nilus, na medida em que, num apêndice à sua edição dos ‘Protocolos’, ele faz datar a conspiração judaica a 929 B.C.4.

Talvez Nilus pressentisse uma certa verdade, de modo confuso. As várias etapas no progresso destrutivo da Serpente Simbólica, do qual ele nos informa, são no seu todo perfeitamente reais, mas é aconselhável examiná-las numa estrutura bem mais alargada e objetiva: a queda da antiga, sagrada Grécia Dórica e o surgimento da Grécia mais ‘humanista’; a degenerescência do Império Romano; a degenerescência em absolutismo do Sacro Império dos Povos Germânicos com Carlos V e com a Reforma; a preparação da Revolução Francesa (iluminismo, racionalismo, absolutismo); as manobras anti-tradicionais da Inglaterra mercantil; os ataques sobre a Áustria e as intrigas dentro da Alemanha; e a antecipação do Bolchevismo, o ponto de chegada da ‘serpente’. No entanto, por contraste, devemos lembrar que a ação positivamente destrutiva da organização internacional judaica desenvolveu-se num período mais recente, e que os judeus encontraram um campo já minado por um processo de decomposição e involução, cujas origens datam a tempos já muito distantes, que estão ligados a uma cadeia de causas muito complexas (ver ‘A Crise do Mundo Moderno’, René Guénon; ‘Revolta Contra o Mundo Moderno’, Julius Evola). Eles usaram esse campo e, por assim dizer, enxertaram a sua própria ação nele, acelerando o ritmo destes processos. Portanto eles não podem ser os únicos responsáveis pela inteira subversão universal. Os ‘Sábios do Sião’ são realmente um muito maior profundo mistério do que a maioria dos antissemitas, ou aqueles que, pelo contrário e por razões diferentes, reduzem tudo ao internacionalismo maçónico ou a algo desse género, podem imaginar.

Pensamos que esta adenda é eminentemente justificada. No entanto, tento estabelecido isto, a ‘presunção’ que aqui indicamos, e que constitui a segunda base da veracidade dos ‘Protocolos’, é completamente justificada, e guia a resultados muito precisos.

Aqui, devemos distinguir dois aspetos, um prático, o outro ideológico. Em termos práticos, somos supostos imaginar que tantos eventos que culminaram em vitórias para o Judaísmo, junto com a infalível presença de judeus, meios-judeus ou agentes to Judaísmo em conivência com a Maçonaria judaizada, em todos as principais assentos da moderna subversão social, política e cultural, foram fortuitos? É suposto ignorar o facto de Israel não apenas ter permanecido unido, apesar da dispersão, mas que os agentes do Judaísmo, citando quase literalmente as palavras dos ‘Protocolos’, reconheceram que tal dispersão tem um caráter providencial, já que facilita a dominação universal prometida a Israel? E, não nos enganemos, neste respeito, existe também uma unidade que é bastante diferente da unidade abstrata e ideal. Israel, a inacessível célula em cada nação, o povo dentro de todos os povos e, em alguns casos, como na Checoslováquia, mesmo estado dentro do estado, tem o seu próprio parlamento supranacional, com legítimos delegados eleitos pelos judeus de cada país, que regularmente se encontra e toma decisões, sem, obviamente, ser obrigado a entregar um relatório completo e público destes a qualquer Goy que o deseje. Por outro lado, existe um domínio cujas suposições e induções de nada valem relativamente a estatísticas esmagadoras: o facto é que, onde os judeus obtiveram emancipação e igualdade, eles não as usaram para estabelecer relações normais com os Goyim, mas para subir imediatamente às principais posições de responsabilidade e de privilégio social e para então desenvolver, mais ou menos visivelmente, hegemonia real. Se os princípios de democracia e liberalismo foram criados pelos ‘Sábios’, ou não, o facto é que, em todos os países e épocas em que esses princípios prevaleceram, o judeu impregnou, parasiticamente ou tiranicamente, os mais altos degraus da cultura e da sociedade, onde exerceu indubitavelmente uma influência destrutiva e corrosiva e onde teceu uma corda de solidariedade racial internacional que, deixando de lado a plano de uma verdadeira guerra secreta, tem o caráter de uma conspiração. É tudo isto mero acaso?

Mas este especto prático da influência judaica está ligado na sua raiz ao problema teorético. Para apresentar o problema judaico propriamente, para perceber o verdadeiro perigo do Judaísmo, é necessário trabalhar na premissa de que o que é fundamental para o Judaísmo não é tanto a raça (no sentido biológico estrito) como a Lei. ‘A Lei’ significa o Antigo Testamento, a Tora, mas também, e especialmente, os seus desenvolvimentos posteriores, o Mishnah e, finalmente, o Talmude. Foi corretamente dito que, como Adão, o judeu foi formado pela Lei, e a Lei, pela sua antiquíssima influência através de gerações, acordou instintos especiais, uma maneira especial de sentir, de reagir, de se comportar, passou para o sangue, e continuou a atuar no judeu sem ele disso estar diretamente consciente ou de o querer. É uma essência, um modo incoercível de ser, que permitiu a Israel preservar a sua unidade, e o seu princípio, a Lei judaica, o espírito talmúdico, persiste e atua hoje, fatalmente, tanto de uma maneira atávica e inconsciente, ou de uma maneira oculta, ou de outra maneira mais ou menos tortuosa.

Aqui outra prova decisiva da veracidade dos ‘Protocolos’ como um documento judaico torna-se aparente, nomeadamente, que extrai da Lei todas as suas consequências lógicas no plano da ação significa, precisamente, chegar mais ou menos ao que é essencial nos ‘Protocolos’: o Judaísmo Internacional lutou para provar que os ‘Protocolos’ são ‘falsos’, enquanto tomando grande cuidado para evitar a questão se o documento, verdadeiro ou falso, corresponde ao espírito judaico. E é precisamente esta a questão que gostaríamos de examinar agora. A Lei judaica é baseada na distinção radical entre o judeu e o não-judeu, o que é apresentada mais ou menos nos mesmos termos que entre o humano e o animal, ou aquela entre a elite e os escravos; daqui é derivada a promessa de que o Reino Universal de Israel virá mais cedo ou mais tarde, e que todos os povos terão de se submeter ao cetro de Judá; é o dever do judeu de apenas ver violência e injustiça em toda a lei que não é a Lei, manifestar um tormento, e uma abjeção, se o seu poder é menos que absoluto; daqui deriva uma dupla moralidade que limita a solidariedade à raça judaica, enquanto aprova todo o tipo de mentiras, truques e traições, nas relações entre judeus e não-judeus, fazendo dos segundos proscritos; finalmente encontramos a santificação do ouro e do juro como instrumentos do poder do judeu, a quem, por promessa divina, toda a riqueza da terra deve peculiarmente pertencer, e que deve ‘devorar’ qualquer povo que o Lorde Lhe entregar. O Talmude vai ao ponto de dizer: “Até o melhor dos não-judeus (goyim) merece a morte.” No Shemoneh Esreh, uma reza judaica diária, lê-se: “Que os apóstatas percam toda a fé, que os nazarenos e os minim (os cristãos) pereçam no campo, sejam eliminados do livro da vida e não tenham contato com os justos.”

 “Ambição sem limites, sede devoradora, desejo cego de vingança e excessivo ódio”, pode-se ler no Protocolo XI, e é difícil encontrar uma expressão mais apropriada para o que é revelado àquele que penetra na essência judaica. A esperança do Reino nunca partiu do judeu e nesta esperança encontra-se o segredo da força silenciosa que permitiu a Israel persistir e permanecer verdadeira à sua própria natureza através de séculos, tenaciosa, obstinada, orgulhosa e vil ao mesmo tempo. Ainda hoje, todos os anos, as comunidades judaicas evocam a seguinte promessa durante a celebração do Rosh Hashanah: “Levantem as mãos em direção aos céus e aclamem Deus enquanto regozijam, já que Jeová, o Mais Elevado, o terrível, submeterá todas as nações e as prostrará aos nossos pés.” Para estas citações textuais e para as declarações oficiais dos representantes do Judaísmo, incluindo atuais, referimos o leitor para os números de Maio e Junho da ‘Vita Italiana’ e para o ‘Fatti e Commenti’, assim como para os seguintes trabalhos: E. Vries de Heekelingen: 'Israël, son passé, son avenir' (Paris, 1937); U. Fleischhauer: 'Die Echten Protrokolle der Weisen von Zion' (Erfurt, 1935); E. Jouin: 'La judéo-maçonnerie et l'église catholique' (Paris, 1921).

O leitor encontrará num apêndice [aqui não incluído] documentação específica de citações textuais e de declarações de representantes, incluindo contemporâneas, do Judaísmo, da “tradição” israelita.

Então, a convergência teórica entre a essência dos ‘Protocolos’ e aquela do Judaísmo é indisputável e podemos inferir que, mesmo que os ‘Protocolos’ sejam inventados, o autor escreveu o que os judeus fiéis à sua tradição e à vontade funda de Israel teriam pensado e escrito.

Não se deve imaginar, portanto, que esta discussão é uma questão de deslocamento retrospetivo e que a Lei é meramente um mito religioso oriundo de um passado remoto e ‘ultrapassado’. Os judeus fiéis à sua tradição são bem mais numerosos do que é comumente acreditado, ou do que se é levado a acreditar. Mas é necessário reconhecer que a influência do Judaísmo não está limitada a estes fiéis: a influência da lei seguida continuamente por séculos não desaparece de um dia para o outro, mas manifesta-se perpetuamente, de uma forma ou de outra, em qualquer substância judaica. De acordo como o que tem sido dito acima acerca da essência da Lei, que considera injusta e violenta qualquer ordem que não seja a seguida pelo ‘povo escolhido’, segue-se necessariamente que o judeu tende, consciente ou inconscientemente, a toda a agitação e subversão, a um projeto contínuo de corrosão. É assim hoje e assim o será para sempre. Na era clássica, a Judiaria era já significativamente assimilada à estirpe ‘Tifónica’, isto é, a forças desintegrativas obscuras, inimigos do deus solar, geradoras dos ‘filhos da revolta impotente’. Theodor Herzl, fundador do Sionismo, reconheceu que os judeus, por um lado, sempre formaram um corpo de oficiais não-comissionados, como se fossem partes revolucionárias e, por outro lado, sempre usaram o terrível poder do ouro de maneiras multifacetadas. A oposição entre as duas Internacionais, a revolucionária e a financeira, é apenas aparente e meramente a expressão da natureza dos dois objetivos estratégicos; o milionário judeu Schiff, que publicamente se gabava de ter financiado e trazido a revolução bolchevique, é apenas um caso revelador entre muitos outros, escondidos atrás das cenas da história ocidental. De novo, o apêndice [aqui não incluído] oferece materiais preciosos ao leitor, ao qual pode ser acrescentado o que a ‘Vita Italiana’ tem trazido à luz metodicamente.

Atenção também deve ser dada ao trabalho destrutivo que o Judaísmo tem alcançado, bastante de acordo com as estipulações dos ‘Protocolos’, especialmente no campo cultural, onde a destruição se tem tornado protegida pela Ciência, Arte e Pensamento. Freud, cuja teoria tenta reduzir a vida interna aos instintos e a forças inconscientes, ou a convenções e repressões, é judeu; Einstein, cujo ‘relativismo’ se tornou de bom gosto, é judeu; Lombroso, que perversamente equiparou génio, crime e loucura, é judeu, como o são Stirner, o pai do anarquismo absoluto, e Debussy (meio-judeu), Schönberg e Mahler, os maiores representantes da música decadente. Tzara, criador do Dadaísmo, o limite extremo da desintegração da chamada avant-garde, é Judeu, e também o são Reinach e muitos outros representantes da escola sociológica, que é caracterizada pela interpretação degradada das antigas religiões. Nordau, que quer reduzir a essência da civilização a convenções e mentiras, é também judeu. A ‘mentalidade primitiva’ é em grande medida uma descoberta do judeu Levy- Brühl e é ao judeu Bergson que devemos uma das formas mais notáveis de irracionalismo, a exaltação da ‘vida’ e do ‘devir’ à custa de qualquer princípio intelectual mais elevado. Ludwig, cuja biografia contém tantas distorções tendenciosas, é Judeu. Wassermann e Döblin são judeus, como toda uma série de novelistas em cujos trabalhos uma crítica corrosiva e mordaz dos valores sociais essenciais pode ser sempre encontrada. E por aí adiante. Somo tao ingénuos para considerar tudo isto, uma vez mais, um tema do ‘acaso’? A mesma influência emana de todas estas personalidades, cujo efeito destrutivo propaga-se nos seus domínios respetivos, e pode-se desde logo ouvir os berros de ‘barbarismo’ e de ‘racismo fanático’ assim que eles são impugnados. Para rebaixar, para transformar todos os pontos fixos em variáveis, para tornar todas as certezas problemáticas, para sensualizar, para exaltar tendenciosamente tudo o que é inferior no homem, para espalhar uma espécie de terror, calculado para favorecer o autoabandono a forças obscuras e para pavimentar o caminho para influências ocultas do tipo descrito nos ‘Protocolos’; este é o verdadeiro significado do Judaísmo cultural. Não pensamos que existe aqui um plano genuíno, ou até uma intenção precisa da parte de todos os indivíduos; o que entra em camp é a ‘raça’, isto é, um instinto; da mesma maneira, é da natureza do ferro queimar. O facto mantém-se que toda a desorganizada, inconsciente influência está em perfeito acordo com a influência oculta, integral, unitária das forças escondidas da subversão universal. Em ordem para reconhecer a existência do Judaísmo internacional, não é necessário afirmar que todos os judeus são guiados por uma organização genuína e que toda a sua ação segue conscientemente um plano. O elo é estabelecido em grande medida automaticamente, por natureza. Quando isto se torna claro, outro aspeto da veracidade dos ‘Protocolos’ é imediatamente confirmada.

O que é debatível, no entanto, é a verdadeira natureza dos objetivos principais dessa influência indisputável. A parte problemática dos ‘Protocolos’ é aquela que lida com a reconstrução, não com a destruição. Quando Nilus compara, num tom apocalíptico, o ideal principal dos ‘Protocolos’ à vinda do Anticristo (a obsessão da alma eslávica), ele simplesmente delira. A verdade é que este ideal, basicamente, é a ideia imperial, nem mais nem menos – e mesmo numa forma mais elevada: uma autoridade de direito divino absoluto e inviolável, um sistema de classes, um governo de homens que possuem um conhecimento transcendente e que desprezam todos os mitos racionalistas, liberais e humanitários; defesa de uma indústria artesanal e luta contra a luxúria. O ouro, uma vez a sua missão completa, será ultrapassado, assim como será a demagogia, todos os ‘princípios imortais’ e todas as ilusões e sugestões usadas e espalhadas como meios. Aí fica uma promessa de paz e de liberdade, respeito pela propriedade e pela pessoa, para quem reconhece a Lei dos Sábios do Sião. O soberano, escolhido por Deus, dedicar-se-á à destruição de todas as ideias ditadas pelo instinto e pela animalidade; uma personificação, de uma maneira, do destino, ele será inacessível à paixão, e mestre de si mesmo e do mundo à sua volta; o seu poder será tão inabalável que ele não necessitará de um guarda armado perto de si (III, XXII, XXIII, XXIV).

Os ‘Protocolos’ perdem muito do seu significado se não se separa essa parte do resto, porque, se tal fosse o seu verdadeiro objetivo, eles poderiam basicamente receber uma justificação. Mas, para nós, tudo isso é fantasia. Nós tentámos, em vez, analisar o processo que levou à paradoxa associação entre estes revivalismos de ideias tradicionais, ligados ao ideal do ‘Regnum’, e os motivos da subversão anti-tradicional: aqui, vemos antes um desvio, culminando numa verdadeira ‘inversão’, de certos elementos dos quais o espírito original se retirou; elementos que, deixados a si próprios, ficaram sob a influência de forças de um tipo bem diferente. Nós tentámos noutro lugar determinar as fases sucessivas desta inversão e perversão (veja o nosso 'Trasformazioni del Regnum', em Vita Italiana, Novembro de 1937). A parte positiva, que traçamos nos ‘Protocolos’, é aquela de onde demonstramos como existe, em todos os processos destrutivos do mundo moderno, algo que não aconteceu ‘por acaso’, algo que mostra um ‘plano’ e a presença de forças ocultas. Já falámos sobre o papel que o judeu teve aí, e pensamos que é errado concluir que tudo o que fez, fez com o ideal do império espiritual em vista, como descrito nos ‘Protocolos’. E mesmo que este não fosse o caso, para nós que não somos judeus, o resultado seria o mesmo, já que disputamos o direito de Israel de se considerar como o ‘povo escolhido’ e de reclamar um Império que implicaria a submissão de todas as outras raças. Não estamos de modo algum dispostos a conferir absolvição por este crime. Conhecemos toda a grandeza da Europa imperial, aristocrática e espiritual e sabemos que toda essa grandeza foi destruída. Lutámos contra as forças que causaram essa destruição e sabemos do papel que os judeus tiveram então, e têm hoje, dentro dela, e sabemos que eles podem ser, hoje, encontrados necessariamente em todos os mais virulentos centros da revolução internacional. O nosso conhecimento em relação a isto não requer que nos ponhamos quaisquer perguntas adicionais. No entanto reconhecemos que as posições mais antissemitas não estão à altura da verdadeira tarefa, já que, pela ideia de raça, de nação, de anti-revolução, de anti-bolchevismo, de anti-capitalismo, este ou aquele setor da frente judaica e da mais vasta subversão à que está associada, pode certamente ser afetada, mas não chegaremos ao seu âmago. Os mitos políticos da maioria não contam muito, o seu alcance é curto, a sua validade é frequentemente afetada pelos próprios demónios que eles esperam curar. O que é necessário é um retorno total à ideia espiritual de império, à vontade precisa, dura, absoluta de uma verdadeira reconstrução em todos os domínios e, portanto, primeiro, nesse espírito, sobre o qual tudo o resto depende. O Protocolo V contém uma menção realmente significativa, reconhecendo que só um Soberano que retira a sua autoridade de um ‘direito divino’ pode realmente aspirar a um império universal, e que os ‘Protocolos’ acrescentam que só alguém com a aparência similar de sentido oposto estaria numa posição de combater os ‘Sábios do Sião’; e que esse conflito entre ele e eles “seria de tal natureza como o mundo nunca conheceu.”

Os ‘Protocolos’ concluem: “Mas é tarde demais para eles” – isto é, para nós. A nossa visão é a oposta desta. No tempo presente, forças de todos os lados estão a aparecer para a reconquista, porque o destino a que a Europa parecia condenado pode ser revertido. Estas forças devem estar completamente conscientes das tarefas e dos princípios que inflexivelmente determinam a sua ação, e devem ter a coragem para serem radicais, especialmente no plano espiritual, e para rejeitar todo o compromisso, para preparar as condições para a formação de uma frente tradicional internacional, e que continuem nesta direção até que o conflito “de tal natureza como o mundo nunca conheceu” os encontre unidos num bloco único, inquebrantável e irresistível.



1.     Conde Alexandre du Chayla foi um aristocrata francês que se converteu à ortodoxia e subsequentemente lutou no exército Branco contra os Bolcheviques. Em 1909 conheceu Nilus, que lhe mostrou o ‘original’ do documento e mais tarde disse que a questão da sua autenticidade não lhe interessava demasiado: “Vamos admitir”, disse a du Chayla, “que os ‘Protocolos’ são falsos. No entanto, não pode Deus usá-los para desvendar a iniquidade que eles fermentam? Não pode Deus, pela nossa boa-fé, tornar ossos de cães em relíquias miraculosas? Ele pode então pôr numa boca mentirosa o desvendar da verdade!”

2.     O nome deste jornal é na realidade New York World.

3.     “… A extensão com que toda a existência deste povo é baseada numa mentira contínua é mostrada incomparavelmente pelos Protocolos dos Sábios do Sião, infinitamente detestados pelos judeus. Eles são baseados numa falsificação, o Frankfurter Zeitung queixa-se e grita uma vez cada semana: esta é a melhor prova da sua autenticidade […] O importante é que, com certeza positivamente terrorífica, eles revelam a natureza e a atividade do povo judeu e expõem os seus contextos internos, bem como os seus objetivos finais.” (A. Hitler, ‘Mein Kampf’). Alfred Rosenberg, no seu ‘Os Protocolos dos Sábios do Sião e as Políticas Judaicas Mundiais’, publicado em Munique em 1923, conclui que “As políticas de hoje são verdadeiras em todos os detalhe às afirmações e ao plano exposto nos ‘Protocolos’.”


4.     No entanto, na 'La scienza ebraica, la teoria della relatività e la "catarsi demoniaca"' (Vita Italiana, Maio de 1940), Evola, sob o pseudónimo ‘Arthos’, trouxe à luz “as relações que existiram desde os tempos mais antigos entre o Judaísmo e a inclinação para uma especulação matemática abstrata e sem vida”, e notou que “essa religião, à sua custa, traz-nos de volta para uma oposição entre visões gerais do mundo e origina naquela negação do mundo como cosmos, como unidade orgânica e viva, que caracterizava o semita em oposição ao ariano”. Mais concretamente, acrescentou que “pode ser notado que a álgebra e a aritmética foram trazidas para o Ocidente pelos semitas e pelos árabes; os números que permitem operações algébricas são precisamente aqueles chamados ‘arábicos’ e que eram desconhecidos, por exemplo, para os romanos, que tinham os seus próprios métodos de cálculo – já que, obviamente, com números romanos é impossível realizar as mais básicas operações aritméticas conhecidas de todos hoje”. Nós, não entendemos estas considerações caricatas, já que podem ser desenvolvidas para ajudar-nos a concluir que a chamada moderna ‘ciência ocidental’ não teria sido possível sem a contribuição semítica.

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