Showing posts with label O Reacionário. Show all posts
Showing posts with label O Reacionário. Show all posts

Wednesday, January 17, 2018

Mensagem ao Povo Iraniano

 


Não é fácil habitar no Irão. Desde há décadas este país é o local de variados episódios que testaram as fibras da nação e a capacidade de resistência do seu povo. Dos anos trinta até aos anos 70, o País foi joguete nas mãos tanto dos colonizadores britânicos como dos americanos, que viam no território do antigo Império Persa mero local de exploração económica e mais um peão no xadrez geopolítico contra as forças soviéticas, provocando crises, depondo governantes e explorando a belo prazer os recursos naturais, produtivos e culturais do mesmo.

Os anos 70 assistiram a permanentes convulsões políticas e sociais causadas pela corrupção do regime do Xá, cuja má-fé e flagrante servilismo aos grandes poderes mundiais ameaçaram corroer por dentro as fundações e a identidade do País.

Após a Revolução Islâmica e a inequívoca refundação do novo regime na sua vocação religiosa, que no Islão encontrava as bases da manutenção do contacto com o divino, contra todo o tipo de neocolonialismos, sejam soviéticos ou ocidentais, o Irão foi presa das ambições territoriais de potências limítrofes, apoiadas pelos tenebrosos Poderes que ainda hoje estão mandatados a redesenhar o mapa do Médio Oriente a favor do Grande Israel. Uma guerra de agressão infame e de vergonhosa agressão seguiu-se, com a nação desta vez a ter de testemunhar, isolada de qualquer apoio internacional de monta, uma luta armada nas próprias fronteiras e bombardeamentos aéreos às suas principais cidades. Como se não bastassem as dezenas de milhares de vítimas inocentes e indefesas de tais agressões cobardes, o povo teve de recorrer ao sangue martirizado da fina flor da sua juventude e da elite combatente e civil, que por dever patriótico e divino rumou de livre vontade até às zonas de massacre com sorriso nos lábios e cara levantada, pois a sua missão era infinitamente mais elevada do que poderiam conceber as estreitas mentalidades inimigas, que ainda hoje apenas visionam a ação terrestre se direcionada para poder, riqueza e alargamento de território.

Com o desagregar do Império Soviético, os tempos mais recentes significaram para a Nação Iraniana o aumento da pressão Ocidental sobre o único regime com poder e força capazes de contrabalançar as ambições políticas e religiosas dos E.U.A. e do Sionismo. As sanções políticas e económicas que tentam sufocar a médio prazo as instituições e a resiliência das gentes iranianas são mantidas com o intuito de não permitirem uma vida condigna a uma nação cujo único crime foi o de querer perseguir o seu destino, na Terra e no Céu. O isolamento internacional a que o País foi votado, o apoio a elementos sediciosos dentro e fora do seu território, a incitação à fragmentação regional, racial e religiosa do mesmo, a militarização e a ocupação dos seus vizinhos por governos antagonistas, as infames campanhas de ostracismo internacional dedicadas à diabolização do regime e do seu povo, são tudo fatores que testam diariamente os iranianos de todas as estações e condições de vida no intuito de continuarem a perseguir o seu destino de cabeça erguida, em oposição a todos aqueles que lhes pretendem lançar as sementes da dúvida e da sedição.

E é este mesmo povo que, quando não descrito pelos traços embotados da caricatura ocidental, aparece ao observador imparcial como sábio e digno, de postura vertical, orgulhoso da sua história ancestral e recente e que diariamente recorda os mártires que lhes abriram as vias que hoje cimentam o país. Religiosos mas não pios, todos homens e mulheres de família e de valores, inequivocamente orgulhosos e crentes, que recebem de braços abertos os visitantes e que com indisfarçável orgulho mostram os monumentos da sua história, os seus locais de culto e o que o Irão tem de melhor, seja em termos de arquitetura, cultura, ciência, gastronomia, etc. E é este mesmo povo, quando fora do país, que demonstra uma habilidade inata para ocupar cargos cimeiros nas áreas da medicina, cultura e ciência nos países hóspedes e onde sempre constitui esteios de hombridade e de convivência que servem de modelo aos nativos e a outras comunidades estrangeiras. E mesmo depois das tribulações diárias, dos problemas que os afligem a si e aos seus, abrem o seu melhor sorriso e convidam o próximo a sua casa e partilham o que têm, mostrando-se genuinamente preocupados pelo destino do mundo e especialmente com o dos homens, de qualquer credo ou condição, pois um povo com uma visão do mundo profundamente religiosa, como o é o iraniano, não poderia atuar de outro modo.

Com a profunda amizade e dívida de gratidão que nutro para com as gentes iranianas, parece-me meu dever alertá-las para certas angústias que determinadas seções populacionais do país parecem nutrir e que alguns julgam poderem ser satisfeitas se o Irão redirecionar o seu foco numa ‘ocidentalização’ da sua sociedade, pois insistem que cabe ‘abrir’ o país progressivamente às mesma vias seguidas deste lado do globo.

Primeiro que tudo, cabe mencionar que compreendemos e simpatizamos com todos os iranianos que desejam melhorar as respetivas condições económicas e as das suas famílias, que desejam o fim da corrupção governamental existente ou o fim ao esbanjamento dos bens do erário público. Tais demandas são mais que legítimas e mostram que o governo iraniano terá que lhes dar resposta, seja por uma maior transparência na gestão das contas públicas ou seja, seguindo o exemplo de Ayatollah Khomeini, dando luta sem quartel aos que, alcandorados a posições de poder, abusam da confiança neles depositada esquecendo que possuem uma obrigação sagrada de honestidade para com todos os iranianos. Mesmo descontando a paranoia dos que, levados pela propaganda ocidental, afirmam que a sociedade iraniana não têm voz – e a prova contrária foi dada pelas manifestações de rua verificadas e pelos debates acesos levados a cabo pelos deputados da oposição no próprio parlamento nacional – o governo iraniano terá de fazer do combate à má-gestão dos fundos públicos e à corrupção governativa uma das prioridades mais sérias da sua ação política para restaurar a confiança abalada.

Tendo nós como tubo de ensaio o caso do continente europeu nos últimos duzentos anos, parece-nos que sendo alguns destes sentimentos legítimos, quando não corretamente direcionados e integrados num contexto superior de qual é a estrutura de sociedade que se deseja, conduzirão o Irão no mesmo caminho que o Ocidente trilha, e onde definha, nos dias que correm.

Se o desejo de melhorias económicas passa por instituir o comércio e o lucro como os valores mais elevados pelos quais os homens estabelecem relações entre si, sem a integração apropriada da religião e de uma conceção espiritual do ser humano e da sociedade, não será exagerado prever, especialmente no advento da globalização, que o Irão se tornará em poucas décadas - no máximo - outro local do mundo em que o protótipo do homem-negociante tomará as rédeas da sociedade, seja ascendendo às posições de liderança da política, economia, educação e cultura, seja comprando os nominativos líderes ou o seu próprio acesso ao poder. Não será de estranhar ver estabelecido dentro das suas fronteiras um sistema de exploração económica em que os destinos das massas humanas passarão a estar dependentes dos caprichos de uns poucos seres que apenas têm na ambição e na ganância os seus guias de conduta de vida. Os próprios políticos serão homens do mesmo cariz, e apesar de publicamente afirmarem estarem ao serviço do povo e de Deus, com poderosas palavras e discursos, em privado servirão os seus verdadeiros guias – o metal e a ambição. Não será de estranhar se os detentores do capital passarem a não ter pejo algum em expandir os lucros a qualquer custo, mesmo que tal implique a deslocalização do trabalho para outras regiões ou países, com pretextos prontamente justificados pela nova classe educadora e cultural, que afirmará que os mais recentes abstracionismos teóricos economicistas conduzirão por certo a sociedade a êxtases coletivos ainda por vir e que os avisos de antanho - como os dos profetas que alertaram que qualquer teoria ou doutrina sem Deus tão-só esconde as ambições mais negras dos homens caídos - já não mais se aplicam e devem ser evitadas. Não será de estranhar que os salários e as poupanças destinados a alimentar as vossas crianças passem a estar prisioneiros das especulações financeiras de grandes grupos internacionais, que no Irão verão não um povo único, dotado de personalidade divina, mas um mero pedaço de terra onde se agrupam corpos humanos que para eles não possuem mais dignidade que um mero centro de despesas e de lucros, uma estatística ou um erro de cálculo, ínfima roda dentada na superestrutura financeira mundial cujo centro é Nova Iorque e que esconde a sua real face tenebrosa por detrás de sociedades anónimas e offshore. E se estes afirmam quererem ver os iranianos vestidos, alimentados e entretidos, tal não se funda na preocupação pelo verdadeiro bem-estar material, moral e espiritual da comunidade, mas apenas para poderem continuar a explorar os seus recursos e as suas gentes. Não será de estranhar que a ambição, a inveja e a cobiça entre irmãos e vizinhos, hoje ainda envergonhadas, comecem a assomar cada vez mais descaradamente, até um dia se afirmarem em toda a sua prepotência entre os vossos filhos e a enfeitar despudoradamente as ações e as feições da maioria de vós, que não mais saberão que por elas estão dominados e são controlados. Não será de estranhar se as vossas cidades, hoje ainda adornadas por vestígios tradicionais e por lembranças do eterno, forem tomadas de assalto por montanhas de aço e ferro, onde massas humanas se amontoarão tanto a trabalhar como a habitar, onde o convívio entre vizinhos já não é ditado pelo afeto e pela cortesia mas pela frieza e desconfiança, onde nos picos do horizonte já não se distinguem torres de mesquitas ou minaretes, pois estas foram submersas pelas antenas e pelos novos monumentos de betão e aço que representam a adoração ao novo senhor do mundo.

Muitos me objetarão que o que se encontra por detrás das atuais reivindicações é um desejo superior ao económico, pois o que os iranianos pretendem é mais liberdade e meios de expressar a sua individualidade sem as restrições e imposições religiosas. Pois permitam que, com a experiência de viver num país e num continente que erigiu tais desideratos a estandartes máximos de governação e de mundividência, avisar que tais intenções, enquanto na primeira geração ainda tomam um caráter tímido, não encontrarão nas seguintes os mesmos freios que a atual dá por adquiridos, porque já não os viverão ou, pior, nem conhecerão. Não se pode esquecer que a liberdade que é usada num contexto sóbrio e tradicional, por seres que reconhecem um Criador e que têm consciência da sua dívida de gratidão para com os antepassados e os que hão-de vir, não será do mesmo tipo que a praticada por seres que deixam de ver nela um meio mas um fim, que desconhecem que ela deve ser uma consequência e nunca um dado de facto. Os que virão já não mais saberão que o homem verdadeiramente livre é o que se cumpre interiormente e que se rege pelos mais estritos códigos, sejam estes externos e internos. Eles só conhecerão a liberdade exterior e mais superficial, a liberdade mesquinha, que é a liberdade que por todos pode ser usada da mesma forma, a liberdade das massas informes, que serve para justificar as ações e as ambições individuais e coletivas do momento. Esta não é a liberdade como realização, mas a liberdade que se torna valor em si e aprisiona o homem em correntes invisíveis e, portanto, ainda mais difíceis de romper que as de um tirano. É a liberdade de dizer e de fazer o que se julga apetecer no momento sem referência a algo superior, é a liberdade da ação vazia e perdida, dos que tomam todas as suas ações, pensamentos e reações como legítimos e dignos de serem escutados e respeitados pela mesma bitola que as do homem sábio ou do religioso. É esta liberdade que dá o megafone há muito ambicionado pela rebeldia interior do homem e que o justifica no que este tem de mais medíocre e vil.

Por experiência própria sabemos que a longo prazo a liberdade, quando não coartada e limitada por valores de ordem superior, degenera no caos individual e social, num anarquismo mais próximo de uma colónia de bichos do que de um agrupamento de seres soberanos e conscientes da sua missão na Terra. Será esta a liberdade dos que docilmente aceitam como chefe qualquer tirano que proporcione livre curso ao prazer dos instintos, mas que violentamente se rebelam contra um soberano divino. A liberdade será a desculpa para dar vasão aos humores e desejos mais inconfessáveis e rasteiros dos homens e das mulheres, seja na sua relação consigo seja na sua relação com o próximo. E quando tais instintos já não encontram no Estado um inimigo declarado que relembra aos seus cidadãos a missão de a eles dar combate, tal combate encontrar-se-á limitado ao seio familiar ou de restritos grupos humanos, apenas serão seguidos por alguns seres, que a médio prazo se tornarão numa exceção e serão olhados de lado por uma sociedade que os despreza. O cúmulo da perversidade é que esta liberdade vai-se apresentar sob vestes de imparcialidade - laica, independente – afirmando não querer impor aos seus novos súbditos qualquer ‘moralidade’ e sob esse pretexto combaterá sem quartel os que cumprem o seu dever de afirmar valores absolutos.

Tal resultará na imposição de uma nova ordem onde impera apenas uma ‘moralidade’: a própria de seres amorfos e vazios, desconhecedores da respetiva natureza divina, pois é por esta classe de homens caídos que mais facilmente é imposta a nova ética global diabólica que rapidamente se expande pelos quatro cantos do mundo, e da qual o Irão ainda se encontra imune, em muitos aspetos. Esta verdadeira colonização será realizada sob roupagens de slogans apelativos para as massas, onde palavras encantadas, quais cantos de sereia, hipnotizarão os indivíduos. Mas não nos enganemos! Este é um novo regime de ocupação, e com objetivos muitos mais pérfidos que qualquer exército inimigo, pois não pretende apenas a espoliação material dos iranianos, mas algo muito mais nefasto e irreversível - a espoliação espiritual. Este ‘exército’ é o mesmo que nesta altura já subjugou vastos territórios humanos e que se insinua não pela via militar, mas pela subjugação mental do homem por via de conceitos abstratos que o colocam em guerra contra si mesmo; é um poder sempre estrangeiro onde quer que se estabeleça, pois despreza tudo o que é viril, elevado e se direciona para cima, pois só assim pode estabelecer as bases de dominação do seu espírito congénito.

Cremos que o Irão se encontra numa altura crítica para a sua história. Acreditamos que as tensões que se estabeleceram dentro do país – principalmente nos seus habitantes, mais do que as causadas pelos inimigos exteriores declarados – darão azo a breve trecho a consequências que não podem ser senão as mais distintas. Se a tensão se resolver pela quebra da vontade coletiva de continuar a contrariar e a dar combate aos elementos egoístas e subversivos individuais e coletivos da nação, de deixar de lutar e de passar sacrifícios em defesa do atual Regime Teocrático Iraniano – objetiva e realisticamente, a única alternativa séria no território à contenção da subversão – de deixar de fazer do contacto com o divino a razão de ser do Governo e a base da estruturação da sociedade e das condutas individuais, por mais ou menos ténues que tais sejam hoje em dia, mais brevemente do que muitos esperam virá o dia em que as forças diabólicas que ainda não tomaram totalmente de assalto este país não mais encontrarão um muro de defesa para aí exercerem total controlo sobre as mentes e as vontades dos seus cidadãos.

Por experiência própria falamos das desgraças que facilmente – e no fundo, muito provavelmente – se abaterão sobre este país. Pelas nossas próprias fraquezas e pelas dos nossos antepassados, a maioria mascaradas de boas-intenções – mas que no fundo nunca deixaram de ser fraquezas! - convidámos a sentar à nossa mesa inimigos mais ou menos dissimulados, pensando sempre que os dominaríamos, que os conseguiríamos conter, que não se demorariam e que não nos afetariam irremediavelmente; que saberíamos utilizar para nosso proveito e para a melhoria das nossas condições de via. A prova é que o inimigo mais pernicioso não é o que abertamente declara guerra e faz cara de mau, mas precisamente o do tipo mais calculista, que se faz de bem-vindo e promete não abusar – é o inimigo que sorri!

Que o povo iraniano saiba que tem sobre ele os olhares de uns poucos no mundo ocidental que o admiram verdadeiramente, que por ele nutrem um grande respeito e veneração e, admitimos sem pudor, mesmo inveja. Dada o presente clima de crise que paira sobre o Irão, não podemos como não nos reconhecer nos iranianos e aliarmo-nos ao seu atual modo de governo, vendo nele algo nobre e uma das poucas luzes de esperança que brilham num mundo cada vez mais mergulhado no abismo, e que se hoje é considerado radical e negativo, tal só o é por defeito do mundo e do tipo de homem hoje predominante, e nunca do Irão. Que os iranianos não se deixem enganar pela grande maioria dos que hoje, afirmando-se seus aliados, no fundo apenas nutrem desprezo e nojo pela vossa vocação coletiva. Nos tempos que correm, há que escolher os lados. Hoje e sempre, orgulhosamente nos afirmamos do lado do Povo Iraniano e do Ayatollah Khamenei.

Wednesday, January 3, 2018

A Falácia da Razão

  


O psicólogo habita os subúrbios da alma, como o sociólogo a periferia da sociedade (Nicolás Gómez Dávila, ‘Escolios A Un Texto Implícito’)

-----------------------------

Desde o iluminismo renascentista os principais pensadores ocidentais acreditaram que por intermédio da reflexão dita racional, o homem, sem necessitar de apelar a quaisquer outras muletas humanas ou divinas, poderia alcançar conclusões tendencialmente perfeitas que lhe permitiriam atingir a realização plena na vida individual e comunitária.

A razão, já então força motriz das ciências naturais e das técnicas de produção e transformação, foi elevada à categoria de guia único  também das decisões individualísticas, da moralidade, dos sistemas espirituais e de todas as ideologias políticas e filosóficas nascidas no pós Revolução Francesa.

E se, no processo, os resultados do exercício da mesma não corresponderam ao desejado, tal se deveu, dizem os racionalistas, ao facto da razão ainda não ter sido estabelecida na sua plenitude, pois, ora a execução da mesma foi imperfeita e obedeceu ainda a critérios irracionais, ou ainda subsistem nos homens farrapos civilizacionais do tipo arcaico e supersticioso que precludem a implementação do Jerusalém racional.

Mesmo após centenas de anos da sua implementação progressiva - descontando a circunstância da razão ter servido de base à criação dos sistemas mais opressores que o homem conheceu - nas sociedades autoproclamadas livres de hoje, onde a razão é propagada com mais alarde, parece claro que a felicidade humana e o bem-estar ainda estão longe de serem alcançados e tais objetivos aparecem cada vez mais aos respetivos cidadãos como quimeras fátuas.

É de realçar que é nestas sociedades humanas que cada vez mais se interioriza a impressão de que tal felicidade e respetiva busca de sentido pela razão são desideratos fúteis e, se não impossíveis, no fundo nem merecedoras de uma consecução séria face ao absurdo da vida – conclusão também racional, por paradoxal que à primeira vista tal pareça. Não admira que a atual subsistência vegetal do moderno, baseada no consumismo e na busca de felicidades e êxtases temporários, esteja encimada nesta conceção niilista da vida onde a existência terrena terá de ser gozada ao máximo, pois não possui qualquer significado de outra ordem.

É digno notar que a sacrossanta razão é-nos apresentada como um dado de facto; algo que existe por si, que deve ser almejada pelo aventureiro-homem que busca a perfeição. Pois desconstruamo-la. E desde já avisamos o leitor donde vimos: a razão, como os modernos a entendem, é, em si, um mito. Ela pura e simplesmente não existe. Existem os pensamentos, existe o cérebro, existem os cálculos e as elucubrações mentais, existem juízos de valor, existe a análise do meio natural em que o homem se insere – não existe razão entendida como ente moral autónomo.

Teceremos algumas considerações que alumiarão o caminho. Só o facto de podermos pensar a razão e percebermos que pode ser usada como instrumento, permite-nos colocar fora do seu âmbito - a razão não é um fim em si mesmo. O homem utiliza a dita nos seus desideratos práticos de tentar compreender o meio-ambiente, externo e interno, apenas e tão-só. Para qualquer outro tipo de considerações de categoria eticamente superior, como por exemplo o estabelecimento de um modo de vida ou a razão da existência, obedecer-se-á sempre a considerações éticas, de natureza variada - claro está - que a razão, por sua vez, permitirá explicitar e compreender - ou julgar compreender.

Não é pois de admirar que pessoas das mais elevadas inteligências tenham conceções de vida e de significado da existência as mais díspares. Vejam-se os exemplos de um Trotsky e de um C. S. Lewis, no século XX. O primeiro usou a razão para fundamentar a sociedade comunista ateística mundial; o segundo, para fundamentar a existência de Cristo e o propósito da Igreja Católica Romana. Em ambos os casos, houve considerações de ordem extra-racional que serviram de base ao posterior uso da razão. Tanto Trotsky como Lewis não podiam, como ninguém pode, demonstrar racionalmente a existência ou a ausência de Deus. Estas são conceções a-priori cujo ‘racionalismo’ vai depois justificar e elaborar. A razão é tão só o método da elaboração interior – primeiro, por via do pensamento – e exterior – posteriormente, por via da fala, gestos, escrita, etc. – de conceções que o indivíduo sente possuir no momento ou que intui. Portanto, haverá considerações externas à razão que determinarão indelevelmente as posteriores considerações racionais, mesmo que aquelas sejam falsas.

Tomemos o exemplo das ideologias modernas. Todas elas - capitalismo, socialismo, anarquismo, social-democracia, comunismo, libertarianismo, etc., têm uma coisa em comum – arrogam-se de serem racionais. Todas, teoricamente, ordenam o homem racionalmente e tomam o próprio ser humano como ente racional e atómico cuja existência é governada por decisões ditadas pela razão, sejam estas egoístas ou altruístas. Nestas ideologias, por muito que tal custe a alguns, não existem quaisquer injunções de tipo moral ou espiritual. Mesmo admitindo a conceção de que o homem não contém em si dimensões de ordem espiritual e que se reduz à sua natureza biológica, é por demais evidente, após alguma reflexão, que tais ideologias aplicam-se a um ser que não existe em parte alguma e que nada tem em comum com os homens terrestres.

Expliquemos. Partir do princípio que os homens se comportam racionalmente é considerar que a humanidade se encontra num estado perfeito de racionalidade. Assume, primeiro, que o homem é guiado apenas pela razão e, segundo, coarta à partida outras dimensões do homem, sejam elas as divinas – suprarracionais – sejam as mais rudes – as infra-racionais – onde incluímos aqui tudo o que são desejos, atavismos, espasmos físicos e mentais, irrequietações, superstições, necessidades biológicas, ambições, sonhos, medos, etc. Mais, assume apenas o estado mental do homem quando este se encontra acordado, e não reporta ao estado humano dormente ou ao sonambúlico, que são esquecidos ou considerados dispensáveis de qualquer atenção, o que não é de espantar já que estes são estados em que o homem não utiliza a razão como ela é hoje entendida, pese, grosso modo, ocuparem pelo menos um terço da nossa existência.

Basta olhar para os nossos hábitos diários para percebermos que a nossa vida apenas muito superficialmente é governada por fenómenos ditos racionais; se de todo, no limite. Ante-se aos tiques que a maioria dos nossos conhecidos mantêm quando os encontramos, seja o bater constante da perna, o nervosismo revelado nas expressões faciais ou o uso de reações e esgares nervosos que traem a fachada original. Note-se o constante correr dos pensamentos, preocupações e imagens que povoam o nosso cérebro no dia-a-dia quando não nos focamos seriamente num qualquer exercício mental ou físico que exija a nossa concentração total, que só a custo conseguimos manter durante períodos prolongados. Retenha-se como a nossa atenção divaga quase automaticamente e salta de assunto em assunto, de pensamento em pensamento, involuntariamente, quando estamos ‘distraídos’. Para não falar dos nossos modos de comportamento, que rapidamente adaptamos de acordo com a pessoa que fala connosco ou da circunstância particular, quase inelutavelmente, ou dos humores variados que experimentamos durante o dia, onde momentos de serenidade são facilmente entremeados por angústias e estados de preocupação, que temem em aparecer mesmo em circunstâncias que julgamos conducentes ao nosso bem-estar. E que dizer das reações instintivas que temos quando nos assustamos ou experimentamos situações limite de existência, que traem o que jaz de mais irracional e subterrâneo no nosso substrato vital. Se nos começamos a aperceber do que boia no nosso fundo existencial, rapidamente notaremos que a maior parte das nossas ações internas e externas - por muito que tal choque o cidadão médio ocidental que julga viver na era iluminada racionalista - são ditadas por fatores irracionais, cuja propalada razão é, na maior parte dos casos, mero subproduto. A própria constatação de que gastamos grande parte da nossa existência em atividades supérfluas, quando não contraproducentes e nefastas para o nosso bem-estar, demonstra claramente que o nosso comportamento raras vezes é determinado  por ela.

E não se pense que tal se limita a atos individuais da nossa vida íntima. Na decisão de comprar determinado bem qual a percentagem que devemos alocar a considerações meramente ‘racionais’, em comparação com outras influências, a maior parte das quais nem temos consciência, ou das quais possuímos tão-só o mais leve dos pressentimentos? Se formos sinceros, perceberemos que a aparência do objeto desejado, a moda do momento, a astúcia e a simpatia do vendedor, a pressão da altura, o estado de ânimo, a vaidade e um sem número de outras considerações inconfessáveis, mais ou menos intuídas, contribuem numa proporção tão preponderante que o pretenso racionalismo praticamente se dilui e aparece mais como um fator pós-facto de ‘racionalização’ para os outros e, inclusive, para o próprio. Mais, a própria decisão de adquirir determinado bem, como todas as outras decisões da vida, partilhará igualmente de um conjunto de componentes éticas e sub-racionais superiores ao que gostaríamos de admitir. Se tal não fosse o caso, duas pessoas, partilhando exatamente as mesmas componentes materiais, biológicas e circunstanciais, escolheriam sempre o mesmo bem. Tal só acontece por acaso, como é óbvio, já que as razões das nossas decisões contêm no substrato um imensa cadeia de fatores, cuja impenetrabilidade é mastodôntica.

O mesmo tipo de raciocínio pode ser transplantado a montante para as organizações coletivas onde a cadeia de fatores e de correlações conducentes às respetivas decisões e ações é exponencialmente mais complexa. Pensar que instituições comunitárias, empresas e governos possuem uma qualidade autónoma racional é mais uma das ilusões sob a qual vive o homem ‘racionalizado’. O que constitui a ação externa destas organizações não é em menor grau o reflexo dos apetites e dos instintos dos respetivos componentes humanos acima mencionados.

Portanto, mesmo a racionalidade de uma decisão ou pensamento, quaisquer sejam, é sempre o produto final - e o mais exterior - de todo um processo, que, mais uma vez, se apenas nos limitarmos às circunstâncias terrestres, não constituirá mais que o culminar de toda uma teia emanharadísssima de fatores, a esmagadora maioria dos quais, infelizmente, não estamos conscientes. Perceber que estes fatores estão fora do nosso controlo e só muito a custo, alguns, poderem ser compreendidos, é suficiente para intuir as amarras que constringem o ser humano e as suas ações, o como somos sempre ‘atuados’ de algum modo e o quão fátuo é falar da independência e da liberdade racional de cada indivíduo.

O esquecimento de tal não pode senão ter efeitos perversos na conduta individual e social, como é flagrantemente o caso nos tempos que vivemos. Não é de espantar que a elevação da razão humana a guia supremo - e, cada vez mais, único - da mundividência moderna coincide com o período em que observamos os instintos mais básicos a guiarem as ações do homem; sempre, como é óbvio, enroupados nos slogans do racionalismo, do livre-arbítrio e da liberdade individual. A razão humana é o artifício onde campeia a exploração do homem pelo homem, onde as relações humanas mais são ditadas pelos instintos de domínio animalesco e primitivo, onde os apetites mais inconfessáveis se propagam.

As antigas normativas comunitárias, vistas pelos modernos como fardos escravizantes impostos pelo forte ao fraco, mais do que limitadores da individualidade, eram vistas como necessárias e desejáveis, tendo em vista não a exploração do homem oprimido, como hoje nos é ensinado, mas a salvaguardar o homem de si próprio, ou do que nele subsistia de irracional. Elas tinham a sua razão de ser numa conceção muito mais realista e profunda da natureza humana, que sabia que o homem verdadeiramente livre era a exceção, não se encontrando tal fora de uma seleta elite de espírito ou de vocação. O líder, antes de poder exercer a sua soberania e autoridade sobre os respetivos sujeitos, teria que exercê-la sobre si próprio, não de modo meramente exterior, mas de um modo absoluto, ontológico mesmo. E mesmo que tal não acontecesse ou não fosse já possível, tal era a justificação longínqua da sua autoridade.

Deste ponto de vista, não choca que antigamente todas as relações sociais se baseassem nos mais estritos códigos e formalismos, desde os círculos institucionais e sociais até aos familiares e íntimos. O controlo da postura, a importância dos rituais, os formalismos requeridos no dia-a-dia, o desprezo pelo livre-pensamento e pelas divagações de tipo individualista sempre estiveram presentes em todas as grandes civilizações antigas – de cujas hoje apenas herdamos alguns ‘hábitos’ e ‘costumes’, entendidos cada vez mais como anacrónicos - que viam nestas injunções os meios necessários para a elevação humana e libertação da condição animalista do homem, que, deixado aos seus meios - incluindo à sua racionalidade - não conseguiria ‘salvar-se’ de si próprio.

Esquecidas que estão as causas de tais modos de existência, vemos hoje o ser humano, diminuído à sua condição de mero ser pensante, racional, subsistir cada vez mais prenhe dos seus apetites, medos e ambições. As relações humanas, que dantes se estabeleciam num quadro de formalismo, são hoje exercidas como instrumento dos seus instintos rebaixados, onde o homem estabelece contacto com outros seres por via da ambição ou dos instintos egoístas, quando não da auto-preservação. Ninguém nota a coincidência de, numa altura em que racionalmente nos afirmarmos todos iguais e merecedores do mesmo respeito e dignidade, os homens e as mulheres se juntarem com base na aparência física e no mero desejo sexual, ou que as relações sociais se baseiem no interesse egoísta, comum e individual? Ou das organizações humanas serem usadas por homens ambiciosos que, antes de servir, procuram servir-se delas? Onde os seres formam camarilhas de poder em que os mais astutos e manipuladores regem outros que a eles se submetem e dos quais dependem do ponto de vista material e financeiro? Como também é uma coincidência que os horizontes humanos se tenham limitado cada vez mais a ver no mundo apenas um local temporário de diversão, no fundo, sem muita diferenciação para com o jardim zoológico onde um grupo de macacos habita? Em que tudo o que antigamente servia para elevar o homem e afastá-lo da sua natureza animal é visto como retrógrado e obscuro? Tudo isto racionalmente!

A avaliar pelos resultados, fica claro que o objetivo profundo do estabelecimento do discernimento racional como critério único da decisão humana não é um fim em si mesmo, mas, como acima referimos, possui uma componente ética e mesmo espiritual prévia, que consiste primariamente na revolta contra o pensamento antigo que estabelecia o divino como base, não só da existência, como da respetiva conduta. E sendo o pensamento racional, como acima afirmamos, neutro em si mesmo, estabelecem-se assim, consciente ou inconscientemente, vias de conduta para o surgimento de influências que, não sendo guiadas de cima, sê-lo-ão necessariamente de baixo.


Não nos iludamos ao pensar que os acasos existem. O destino da humanidade é algo muito sério e importante para ser deixado ao livre-arbítrio ou ao acaso; tal nunca aconteceu nem nunca acontecerá. Vemos com grande preocupação o atual estado para o qual a humanidade se precipita, pois não estando consciente que se encontra sob o domínio de um mito falso – o da razão – mais facilmente será guiada para propósitos obscuros por mais altas inteligências, hoje soberanas.

Sunday, December 31, 2017

Folhas Soltas (4)




A camarilha capitalista não descansará enquanto não vir as cidades transformadas em campos de concentração para efeitos de trabalho, consumo e diversão.


O capitalista é o ser libertado de todas as amarras, mas totalmente submetido ao Deuses da Finança e da Economia.


A democracia liberal não é nem nunca foi um fim em si, mas sim uma plataforma de implementação da subversão no mundo ocidental.


O processo de desespiritualização do ser humano inicia a sua etapa final quando este começa a diferenciar-se pelas suas práticas sexuais. 


A diferença entre um fanático pregador apocalíptico e um adepto de futebol: o primeiro conhece o espírito que o acomete. 


A generalização da corrupção em todos os sectores da vida pública e privada do ocidente é uma amostra dos verdadeiros instintos humanos, quando não supervisionados e guiados. 


A grande diferença de um moderno para um tradicionalista: só este sabe como os dois pensam! 


A incessante atividade do moderno em argumentar, discutir, criar grupos e movimentos revela uma descrença profunda nas suas "convicções". 


A negação de Deus não é mais que a moderna admissão da derrota do homem na Sua busca.


Ouço queixumes generalizados que a nova geração não respeita a instituição do casamento. Como poderiam se já os seus avós não entendiam as verdadeiras razões da sua fundação? 


A opinião generalizada de que existem sectores de conhecimento humano "imparciais" e "neutros" é uma prova insofismável da eficácia do logro subversivo.


A perversidade moderna de fingir "debater" ao mesmo tempo que rotula as posições contrárias como doenças mentais é ao mesmo tempo genial e diabólica. 


A propagação das trevas é inevitável: o único que controlamos é a atitude perante estas.


A Revolução Francesa poderá ser melhor compreendida como o ato que permitiu a hipnotização das massas humanas por via de conceitos abstratos. 


A Revolução Francesa poderá ser melhor entendida como o momento em que os verdadeiros líderes da humanidade passaram para os bastidores. 


A busca da sabedoria pela sabedoria há muito que desapareceu; hoje ela é guiada pelo lucro, trabalho, autopromoção ou ideologização. 


A todos os que hoje criticam o terrorismo: por acaso fazem ideia que a ideologia reinante nasceu do mesmo e da sua aplicação impiedosa? 


A tomada da Bastilha é o culminar de um ódio visceral ao homem que a sociedade já não podia conter. 


Nas democracias, todas as decisões fraturantes realizadas sobre temas ‘civilizacionais’ nunca são feitas por peritos "neutros" e muito menos deixadas ao acaso! 


Alguém disse uma vez que o animal têm 3 preocupações: abrigo, sexo e comida. Quantas mais terá o homem moderno? 


Todo o tradicionalista reconhece que o maior perigo de todos jaz nos EUA, na sua política e no seu povo.


Aquele que só sabe de factos e não liga a causas, não poderá deixar de ser objeto da história.


As forças da subversão desprezam infinitamente mais os que a seguem que o que se lhes opõem: estes, ainda que insignificantes, são seus inimigos; os outros, massa informe.


Cabe a todos os verdadeiros reacionários uma tarefa essencial: purgarem-se de todos os vírus progressistas que, infelizmente, também os afetam.


Capitalismo: teorização para mascarar a ganância; comunismo: teorização para mascarar a inveja. 


A homossexualidade massificada é uma anomalia, por muito disseminada que se encontre. Anomalia física, moral e espiritual - dos indivíduos e da sociedade.


Como a história demonstra e demonstrará, a restauração da ordem exige reações cada vez mais violentas contra a desordem que se propaga. 


Como já dito por Platão, a democracia é o sistema político que apela aos piores instintos do homem. Todos os dias esta afirmação é vingada. 


Como já foi dito, apesar de este ser o período da história mais degradado, também é aquele em que mais fácil será atingir a salvação. 


Comparar sociedades antigas com base em avanços materiais é injusto e ao mesmo tempo desculpável: quem hoje o faz não possui outro meio de comparação. 


Comparar um templo monástico na Idade Média com o templo moderno do estádio de futebol, é um exercício ao mesmo tempo deprimente e revelador! 


Criticar a burka e o véu islâmico, e a este respeito qualquer vestimenta tradicional, é um ataque aos valores da verdadeira feminidade. 


Depois da Revolução Francesa, qualquer revolução das massas não mais é que uma cópia reles daquela; uma imitação de feira.


É cada vez mais claro que a liberdade de expressão foi apenas um instrumento tático das forças subversivas e nunca um princípio absoluto a ser preservado. 


E se alguém lhe dissesse que o atual estado do mundo já tivesse sido previsto por todas as civilizações antigas? 


Estranho como muitos ditos radicais de direita nunca questionem que o racialismo é uma ideia modernista, como o são o socialismo e comunismo. Ódio a raça e  ódio a classes andam de mão dada.


Eu ainda sou do tempo em que incitar à homofobia envolvia espancar um casal de larilas... Como os tempos mudam! 


Fala-se tanto de individualismo, mas a mentalidade de manada impera. 


Freud, Marx, John Locke, Engels, Kant, Adam Smith, Bill Gates, Henry Ford – a modernidade foi parida por homens brancos heterossexuais. Como os detesto! 


Divertido observar católicos a denigrir o Islão usando o mesmo tipo de insultos lançados por ateístas contra o Cristianismo. 


Haverá sintoma maior do medo a Deus do que a atitude moderna de negá-lo violentamente e alistar outros homens nessa empresa? 


Hoje somos muito inferiores aos antigos: enquanto nós procuramos a verdade, eles tiveram contacto direto com ela e nela habitavam. 


Argumento absolutamente insofismável que sem dúvida calará os que menosprezam a monarquia: ao contrário da república, só esta, tem origem divina. Ou vence o argumento ou é considerado louco.


Não será a ilusão de querer salvar um mundo sem salvação uma ideia subversiva? 


Nos períodos finais de desagregação, o homem vertical tende progressivamente a apenas encontrar refúgio dentro de si. 


Nota para os racialistas: na sociedade da Tradição, o membro da casta superior só era admitido após iniciação, nunca apenas por nascimento. 


Notar como o homem, desde que negou Deus, se rodeou de ídolos: Ciência, progressismo, humanismo, liberdade, tolerância, individualismo, etc. 


Num mundo progressista, um reacionário é visto como traidor. Não esquecer: traidor que trai traidor tem 1000 anos de perdão! 
  

Nunca percebi muito bem todas as críticas a Donald Trump: tudo o que o ele diz e faz em exagero e a quinta-essência de um político moderno. 

Saturday, December 30, 2017

Folhas Soltas (3)




O rácio ‘poder do povo/liberdade do povo’ é uma relação proporcionalmente inversa. Todas as calculações diabólicas o são.


Interessante viver nestes tempos em que o capitalismo e a subversão revolucionária não mais têm necessidade de esconder a sua aliança. 


As necessidades de moralizar e de manter formas exteriores de decoro são típicas de civilizações às portas da dissolução.


Estamos já prontos para admitir que não são apenas os homens muçulmanos que não conseguem controlar os seus instintos sexuais quando se deparam com uma mulher não coberta?


Os modernos teóricos da conspiração são tão só vozes profanas e materialistas da tomada de consciencialização que o mal se propaga na Mundo.


Se vivessem durante a Idade Média, a sua habitação seria num mosteiro.


Se dúvidas existissem, note-se apenas no facto de que nenhum deles concebe a existência de uma conspiração com o objetivo da implementação do Bem na Terra.


De todos os sistemas que falam de uma Verdade mais elevada, os mais elevados são aqueles que não a tentam definir ou delimitar.


Já que a linguagem é um instrumento grosseiro e a mente um ilusório composto de matéria…


Pois o que faz parte do devir apenas possui uma existência subsidiária e não contém o seu princípio fundador.


Este princípio é o inimaginável, o não-criado, o ilimitado, que só pode ser compreendido fora de qualquer modo de existência.


Amaldiçoada seja o homem que por cada 10 ideias somente tem 9 corretas. Abençoado seja aquele que apenas segue o caminho correto.


A conceção ateística de culpa: como não poderás ter danação eterna, pagarás tão severamente quanto possível na Terra pelos altos crimes praticados contra o Progresso!


Um amigo recentemente frequentou um seminário New Age sobre a busca de significado e a necessidade de seguir os sonhos individuais como condição de realização espiritual. Mal de lá saiu promoveu numa nova tradução dos Protocolos dos Sábios do Sião!


A busca do infinito ultrapassa a busca do bom, já que o bom necessita do mal para existir.


‘A vítima necessita de ser acreditada sob quaisquer circunstâncias’ é uma típica arma marxista para avançar a sua ideologia: apela ao sentimentalismo, compaixão e à fraqueza moderna de ajudar os fracos e oprimidos.


Tal é ecoado na mentalidade escrava predominante que instintivamente apoia estes slogans.


O instinto de demonizar os ricos e poderosos, hoje tão em voga, desmascara a alma escrava do cidadão moderno.


Daqui, o niilismo atual que tudo nivela, equaliza e normaliza. Mais do que a ambição de combater a injustiça, existe horror a tudo que é apercebido como diferente e superior.


Neste sentido, por detrás dos slogans idealistas, jaz o desejo subversivo de nivelação. Tal sentimento é um instrumento das forças subversivas, cujos seus reais representantes atiçam para fins muito bem definidos e só visíveis ao observador mais atento.


Portanto, se a luta se estabelece apenas no domínio dos ‘atores’, nunca haverá uma recuperação dos ideais perdidos; é o próprio espírito da época que deve ser combatido e contido, mas apenas por valores espirituais de orientação oposta.


Parece que o problema é que as atuais instituições da sociedade ocidental e os seus líderes foram assaltados pelos negros espíritos subversivos.


Até há poucos séculos, a subversão ativa era avançada por poucos agentes; hoje, ela já é avançada pelo cidadão médio.


As verdadeiras forças subversivas são protegidas sempre que algum grupo ou organização são apontados como culpados pelos males do mundo.


Maior truque que o diabo pregou – mudarás o mundo através da conversão em massa aos teus ideais.


Maior truque que o diabo pregou – as tuas opiniões contam, garante que todos as escutam.


Maior truque que o diabo pregou – a missa missão na Terra é a de convencer os outros das minhas opiniões; seguramente tal beneficiará o cosmos.


Maior truque que o diabo pregou – Se eu passar a vida a ler livros e a memorizar passagens e factos, tal garantir-me-á um lugar no Céu.


Maior truque que o diabo pregou – apontar o dedo a todo o mal do mundo e criticar os que o promovem, tal contribuirá para o meu lugar no Além-Vida.


Maior truque que o diabo pregou – demonstrar aos outros as minhas boas qualidades e a pureza dos meus ideais por certo garantirá o meu acesso à vida eterna.


Maior truque que o diabo pregou – as minhas opiniões são realmente importantes; se apenas toda a humanidade se curvasse a elas.


Maior truque que o diabo pregou – mostrar o caminho aos outros certamente me beneficiará, mesmo que não o siga por agora.


Maior truque que o diabo pregou – tenho a certeza que estou perto da iluminação; se apenas conseguir ler mais 100 livros sobre tradicionalismo e religião.

Monday, December 18, 2017

Folhas Soltas (2)


    

    A pintura hiper-realista é um sintoma extraordinário da animalização do homem e dos seus horizontes.


    A obsessão moderna com a matéria não conhece limites. Arte degradada ao nível da cópia do físico. 


    No limite, um macaco adestrado para tal, conseguiria produzir obras de arte modernas. 


    Arte superior liberta-nos do animal em nós, não o aprofunda


    Quando o moderno se refere ao humano, eles querem dizer animal. 


  Do humano eles encontram-se absolutamente afastados, já que humano é o que existe de divino no Homem.


   Um capítulo nunca a aparecer nos futuros livros de história: ‘A importância das contas reacionárias nas redes sociais para o desmantelamento da modernidade’.


  Três populares profissões modernas que confirmam a iminente ascensão do Anti-Cristo: cozinheiros celebridades, políticos profissionais, programadores de videojogos.


   Uma prova insofismável da latente falsidade da nossa vida pública é o aparecimento da indústria do marketing.


   Todos os sistemas políticos modernos, no seu íntimo, não contém quaisquer noções de Deus, Bem, Virtude ou Justiça. De facto, são meras vias de conduta para outro tipo de influências…


    Prova da incrível decadência das civilizações: nos tempos antigos os respetivos líderes possuíam poderes sobre os Deuses; hoje em dia, apenas têm poder sobre a multidão.


   Se o político moderno jura não ter como objetivo tornar-se rico, porque então se veste como um poderoso capitão de indústria?


   A vida pública sob alçada democrática é governada pela projeção e pela irreprimível inveja. Nela, homem satisfeito com a sua situação é considerado um pateta.


   Em democracia, mais do que perseguir verdade e justiça, o que importa é aparentar persegui-las.


   Só o homem massa toma a liberdade de pensamento e de ação por verdadeira liberdade. 


   O antigo sabia que a verdadeira liberdade só estava ao alcance de poucos eleitos, não sendo esta mais do que liberdade de si próprio.


  Daí ser tao estranho ao moderno compreender todas as regras, imposições e costumes que à maioria cabia cumprir antigamente.


  Vendo nelas somente opressão, o moderno desconhece que eram aceites de bom-grado já que sem elas estariam irremediavelmente perdidos.


  Mais, viam numa classe superior de homens, que reinava, esse exemplo superior. Ao participarem da hierarquia, era-lhes facultado participar nessa ordem superior.


  Hoje, o homem massa, tendo-se libertado das velhas "correntes", cortou todas as possibilidades de participação nessa ordem. Não a tem e nem a vê.


   Quanto muito, resta-lhe a fé.


  Que triste momento para a humanidade quando a fé se tornou o único meio de contacto com o divino. Necessário, sem dúvida! Mas não menos triste...


  O homem atual atua cada vez mais por processos de ação passiva. Os seus modos de estar resumem-se a único estado: o hipnótico.


  Uma cultura de sexo fácil e de gratificação hedonística é totalmente ignorante do êxtase supremo – divino, mesmo – da antiga união sexual onde a mulher se entregava totalmente ao homem, que a podia possuir na sua plenitude.


    No final do dia todos vivemos vicariamente: o homem, através do empresário; a mulher, através da atriz; a criança, através da estrela de desporto. Graças a Deus pelo fim das tenebrosas práticas de idolatração de ídolos! 

  
   Na modernidade, é quase impossível ao homem controlar os seus sentidos e emoções. O permanente atiçamento destas é condição sine qua non para a sua existência.


   Na modernidade, em todos os setores da vida, para atingires o sucesso necessitas manter um séquito, que irás alimentar e proteger. Por Deus, a Máfia não inventou o seu sistema do nada!


   A constante inquietação e necessidade de ação contínua são sintomas do profundo desespero em que o homem moderno opera.


   O mais iludido de todos é o auto-intitulado homem ‘culto’, que acredita que as suas convicções lhe pertencem. 


  O melhor barómetro para aferir do avanço civilizacional é observar a dignidade das pessoas que governam: se houver dúvidas, compare-se a grandiosidade de um antigo Faraó com os servos de hoje que vestem gravata.


   Hoje em dia, as pessoas que nos governam não mais são que plebeus psicóticos altamente ambiciosos.


  Reparo em muitos tradicionalistas que juram estar a combater as estruturas modernistas de poder nas redes sociais ao juntar seguidores e a angariar dinheiro.


  Constato que a esmagadora maioria dos seres libertos de hoje possuem as ideologias, as atitudes e as crenças que são promovidas nos mass media. Deve ser coincidência…


   Haverá algum governo democrático que não seja uma organização proto-mafiosa? Espero exemplos que contrariem esta asserção.


    Não faz diferença séria que a exploração económica de massas seja encabeçada pelo Estado ou por um conjunto de empresários.


    O moderno capitalista é um produto da teoria marxista: ele defende a sua utilidade ao reclamar que, ele também, produz valor.


   Em democracia todas as pessoas são escravos: do dinheiro, do trabalho, da posição, dos desejos, da ambição. 


   A diferença essencial entre democracia e uma verdadeira aristocracia é a ausência na primeira de homens verdadeiramente livres.


   Nestes tempos em que toda a gente necessita de ter emprego e depende do dinheiro, como confiar nos verdadeiros motivos íntimos de qualquer conhecido?


     Em democracia todos os aspetos da vida, incluindo a caridade, politizam-se.


   Cuidado com a turba, qualquer turba, mas especialmente a turba democrática: o seu fanatismo é inigualável nos anais da história.


    Em democracia, a longo prazo, as medidas mais populistas e decadentes acabam por ser implementadas. 


   Tentar mudar o sistema pelo voto, é uma armadilha; os reais criadores da democracia conhecem a natureza humana muito melhor do que se lhes dá crédito.


   Quem defende o estabelecimento de uma sociedade humana com os mesmos direitos inalienáveis para todo a gente é um tolo, no melhor dos casos; um subversivo, no pior.


   O mesmo vai para os que defendem uma comunidade baseada na raça, no capital, nos ideais sociais ou em qualquer outro mito moderno.


   Como se torna a cada dia mais claro, todo o propósito da existência dos EUA é a preparação do futuro Reino de Israel.


  O ataque velado ao estado iraniano vai saindo das sombras. Israel, EUA e Arabia Saudita são instrumentos das forças que querem eliminar qualquer nação independente d face da Terra.


   Relativamente ao debate sobre o porte de armas, os conservadores americanos amiúde esquecem que os direitos divinos de propriedade apenas só podem ser exercidos por homens livres, não por homens libertos.


   Prover direitos de uso de armas às masses apenas faz sentido em pensadores democráticos e proletários, não para o verdadeiro Conservador.


   Conservador americano, já agora, é um oximoro.

Wakinyan-Tanka - O Simbolismo da Águia Entre os Peles Vermelhas

Com a devida vénia, deixamos traduzido o ensaio de António Medrano, originalmente publicado na já defunta publicação tradicionalista ...