Men and women will live together
merely because of superficial attraction, and success in business will depend
on deceit. Womanliness and manliness will be judged according to one’s
expertise in sex, and a man will be known as a brahmana just by his wearing a
thread.
Srimad Bhagavatam 12.2.3
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Acerca dos mais recentes casos mediáticos de abuso e
violência sexuais contra mulheres que vieram à baila na comunicação social,
cabe-nos deixar algumas reflexões que nos parecem oportunas sobre as
peculiaridades que apresentam.
Primeiro, porque tais abusos, ao contrário do que é
comummente transmitido e expectável, ocorreram dentro dos meios mais
progressivos e liberais da sociedade ocidental, e não no seio das estruturas
ditas patriarcais. Segundo, revelam que sob um sistema igualitário e de
libertação sexual jaz uma superestrutura de poder – para utilizar uma
terminologia marxista – na qual a ascensão das mulheres se baseia em muitos
casos em favores sexuais, como tem sido abundantemente reportado, cuja
sistematicidade não pode ser considera um acaso.
Por detrás de todos as proclamações idealísticas,
cabe-nos levantar o véu sobre o real papel da mulher e do sexo na sociedade
moderna e tentar entrever, no contexto da progressiva luta pela igualdade de
género, quais serão as próximas etapas deste processo.
A emancipação feminina, que hoje é considerada por
todos como fenómeno salutar e de inegáveis benefícios, acelerou-se
definitivamente no decorrer do século XX. Contra o paradigma tradicional que
então subsistia, no qual à mulher cabiam essencialmente as funções de mãe e
amante, todo o século XX assistiu ao aparecimento de um novo conjunto de
fatores que possibilitaram a realização materialmente da igualdade de género na
sociedade, que mais não fez do que estender a democracia política já consignada
nas principais constituições modernas ao domínio familiar, especialmente a
partir do final da segunda guerra mundial.
Na União Soviética, esta igualdade foi promovida por
decretos governamentais de cariz totalitário em que a família foi abolida e os
sexos se dissolveram na noção proletário do “camarada”; nos EUA e na Europa tal
aconteceu por realizações políticas graduais, numa ótica de progressismo, que
em alguns casos promoveu a igualdade por via legislativa e que noutros se
limitou a reconhecer uma igualdade que já existia por via de mudanças socias,
culturais e tecnológicas (para dar alguns exemplos, a invenção da pílula do dia
seguinte, a industrialização massiva, o surgimento da indústria da moda, as crises
financeiras, etc.), e que possibilitou à mulher adquirir uma igualdade
económica, social e política que, mesmo que muitas vezes só o fosse em termos
formais, representou um notável contraste com a anterior realidade ocidental.
Como consequência desta emancipação, a mulher teve
progressivamente que se adaptar a uma nova realidade onde passou a competir de
igual para igual com o homem. Em lugar de ter como inspiração aquilo que
correspondia à sua natureza fisiológica e psíquica, na sua nova liberdade ela
só tinha a que se agarrar, na sua “necessidade” de libertação, ao outro modelo
que na sua ótica já era livre - o homem. Sem outra referência existente, porque
de facto não existe outra alternativa, ela só podia aspirar a ser um homem: a
vestir-se como ele, a adotar os seus modos de comportamento, os seus hábitos e
as suas profissões. Ao não poder imitar o homem senão nos seus aspetos mais
exteriores e ao copiar-lhe os modos, tornou-se um homem menor, um homem
incapacitado, uma caricatura do mesmo, ao mesmo tempo que ia perdendo e
esquecendo aquilo que lhe conferia a sua inerente dignidade e personalidade.
Pior, num ambiente geral de desagregação e
decomposição em que os homens verdadeiros escasseavam – quando já não tinham
mesmo desaparecido dos lugares de proeminência nas sociedades moderna - e não
podiam ou sabiam mais exercer uma soberania aristocrática e verdadeiramente
masculina, a mulher imitou então o único exemplo de masculinidade disponível, o
homem vulgar; ou melhor, numa sociedade-massa, sem verdadeiras classes
aristocráticas de valor ou de sangue, a mulher, quando ainda não proletária,
também se proletarizou, rebaixou-se ao único modelo existente que tinha
disponível - o homem-massa.
A partir desta nova mundivisão, a chamada “libertação
sexual da mulher” correspondeu o passo seguinte, coadjuvada por fenómenos
vários que a tornaram hoje numa realidade de facto. Destes fenómenos
mencionaremos aqui, de passagem, a pílula do dia seguinte, o surgimento da
indústria da moda (instituição de engenharia social a cuja pouca atenção é
dada), a infiltração de instituições universitárias e culturais por elementos
marxistas, a proliferação do consumo de drogas e a divulgação para o grande
público de música hedonista de tendências individualistas e hipnóticas, como
são o jazz, o rock e o rap.
Neste ambiente que promove a explosão dos sentidos, em
que as instituições tradicionais eram vistas como sintomas da opressão
masculina, a atividade sexual da mulher privatizou-se e ela passou a ser dela a
única custodiante. Mais, nesta sua rebelião, ela via no exercício desta
atividade, mais que um ato de prazer, uma afirmação da sua nova liberdade e um
modo de confirmação de que se encontrava no mesmo patamar que o homem. O homem
de então, na maior parte dos casos totalmente aburguesado ou proletarizado,
aproveitou-se, quando não muitas vezes encorajou, esta rebelião, da qual
usufruía tanto física como ideologicamente, já que tal ia de encontro às
doutrinas ideológicas vigentes que, no fundo, apenas tinham em vista a
satisfação dos seus prazeres mais vulgares.
Consequência disto foi o rebaixar a atividade sexual a
algo sem valor intrínseco ao ato próprio, a não mais que uma atividade que,
como todas numa sociedade materialista e hedonista, se preocupa com a
felicidade instantânea dos seus praticantes, a busca de poder e de outras
vantagens materiais.
E se em alguns setores da sociedade, a prática sexual
ainda é realizada recatadamente dentro de um contexto próprio, tal corresponde
a mero formalismo, muitas vezes mais por pruridos e falsos moralismos da antiga
nobreza, que já não compreende a sua verdadeira vocação, ou do falso
puritanismo da burguesia que se preocupa sobretudo em manter as aparências.
Como já notamos, nesta sociedade igualitária a mulher,
apesar de almejar comparar-se ao homem nos seus sinais externos, não possui,
nem nunca possuirá as características deste, sejam as físicas, espirituais ou
psíquicas, seja igualmente um tipo de pensamento racional que é dele
característico. Não possuindo tal, e tendo perdido contacto com a verdadeira
feminidade que era a sua herança natural e divina, tem de recorrer ao que possui
de feminino no sentido mais baixo e profano do termo – o seu sexo - e,
portanto, vai buscar ao seu sensualismo e apelo feminino os instrumentos para
poder competir com o homem nos diversos setores onde tem de lutar para
conquistar o seu espaço, trabalho e salário, já que tais são os únicos meios de
distinção que possui. Não é por acaso que, ao mesmo tempo que ela se equiparava
ao homem, ela hipersexualizou-se, realçou os seus traços femininos, para assim maximizar
o seu poder sexual.
Não é de estranhar que a mulher moderna perca grande
parte do seu dia a preparar-se para sair de casa, pois sabe que tal lhe permitirá
reter a atenção de homens estranhos, pois é aí que poderá beneficiar em termos
sociais, profissionais, sexuais e, não menos, alimentar o seu narcisismo vácuo,
que já não mais é posto em xeque. Para fazer o contraste, repare-se no abismo
de diferença que existe com a antiga mulher europeia - ou a ainda tradicional
hindu ou muçulmana - que, no exterior, se resguardava o mais que podia dos
olhares de homens estranhos e reservava todo o sensualismo para o seu marido
dentro de casa. A mulher ocidental de hoje deleita-se no exibicionismo para
estranhos e amiúde, dentro de casa, veste-se de pijama ou fato de treino, pois
já não tem tempo, disposição ou energia para aí exercer sensualismo e
cumprir-se. De facto, esta, ao desnudar-se cada vez mais na rua e no escritório,
com as suas maquilhagens, com as suas pinturas, com os seus trajes menores,
assemelha-se muito mais a uma prostituta que vende o seu corpo a um preço,
atiçando os seus potenciais clientes, do que à mulher dona de casa de ainda
recentemente.
Isto acaba por ter efeitos perversos para as próprias
mulheres, que nesta competição selvática para exibir mais e mais sensualismo,
tornam-se escravas do seu corpo e da sua aparência, acorrentadas que estão a
manter a sua jovialidade e boa-aparência até cada vez mais tarde, mesmo depois
do ponto em que estas já não são os mesmas – daí a recorrerem a métodos
artificiais de beleza vai um passo – e aí estão as indústrias de maquilhagem,
implantes e botox prontas a fornecerem os seus serviços. E se os limites da sexualização
ultrapassam cada vez mais os limites superiores da idade, vão igualmente
superando os inferiores, e é ver a crescente sexualização de raparigas e
meninas a ganhar terreno, estando estas cada vez mais precocemente conscientes
do poder da sua sexualidade e inclusivamente já a utilizá-la.
Não é também por acaso que a emancipação feminina é
precursora da indústria pornográfica, das agências de modelos, da sexualização
de todos os aspetos da vida humana, para não falar no submundo das indústrias
de prostituição, tráfico humano e pedofilia, que exploram a ânsia tresloucada
por aquilo que permeia a sociedade atual, e ao qual recorrem mulheres que, no
fundo, sabendo da sua disfunção natural para vingar numa sociedade em que terão
de competir de igual para igual com o homem, usam o sexo diretamente para
garantir o seu sustento, sem as veleidades de manter as aparências e sem as
táticas dissimuladas utilizadas pelas outras mulheres do mundo civil.
Ao contrário das práticas descaradas nas indústrias
acima mencionadas, nos outros campos da sociedade o uso do sexo é mais
dissimulado e está velado por táticas de sedução e exploração da fraqueza do
homem relativamente ao mesmo; nele a consumação do próprio ato sexual é apenas
uma modalidade do jogo. E tal acontecerá especialmente em indústrias – como a
cinematográfica, a televisiva e a de moda, por exemplo – que mais apelo fazem
ao sexo e que mais conscientemente empregam mulheres com esse intuito, o qual é
aproveitado tanto pelos homens como pelas mulheres mais ambiciosas dessas áreas.
Em posições de poder nestas indústrias – como noutras,
mesmo que em menor grau, já que os processos de poder na sociedade moderna são
transversais e podem-se aplicar do mesmo modo à política, à economia,
sociedade, etc. – encontraremos os homens e as mulheres menos escrupulosos e
que estão mais sedentos de poder e de acesso às vantagens materiais dessas
posições, que incluem sobretudo riqueza e sexo. É nestes sistemas de
prostituição legal que encontramos então mais casos de homens que se julgam no
direito de obter este tipo de favores do sexo feminino, já que tal é a
expetativa e, no fundo, a razão por que acederam a tais patamares de poder.
Quando tal não acontece, as repercussões serão graves para a parte que não
cumprir com o esperado, podendo tais consequências passar por entraves à
progressão profissional até mazelas físicas, nos casos mais extremos.
E sendo a sociedade ocidental tão pronta a criticar
antigas instituições tradicionais como o concubinato e a poligamia, só por muito
hipocrisia não se nota que as mesmas subsistem hoje - sob outros véus, claro
está - em que homens mais ou menos abastados mantêm sob seu sustento um círculo
de amantes, das quais se desfazem assim que são descobertos ou a partir do
momento em que estas já não satisfazem o seus apetites, o que é exatamente o
oposto do tipo de realização e das obrigações que antigamente oneravam o homem
polígamo ou o que mantinha uma harém.
O homem moderno, que já não faz a mínima ideia do que
é a verdadeira masculinidade, emasculou-se por sua vez e portanto, sempre sem o
saber, encontra-se sob o domínio do signo feminino. Ao contrário dos antigos
exemplos tradicionais de masculinidade – dos quais o cavaleiro e o asceta eram
os expoentes máximos – que se afirmavam por si próprios e nos quais os traços
de caráter, nobreza, verticalidade e controlo sobre si mesmo imperavam, é ver
os seus herdeiros a usarem tácitas sensualistas de caráter feminino para
conquistar a fêmea, que se baseiam sobretudo em aspetos exteriores de atenção.
Ele tem na maior parte dos casos que exibir as suas riquezas (como antigamente
os pais da noiva providenciavam o dote para atrair o futuro marido) ou recorrer
a truques e esquemas engenhosos para tentar convencer a fêmea a escolhe-lho
como parceiro. Se dúvidas houvesse atente-se no surgimento do fenómeno da
“moda” masculina a que cada vez mais homens aderem, que se cobrem de forma cada
vez mais efeminada - e que inclusive se estende também aos cuidados com o
cabelo e a pele - com vista a atrair os elementos do sexo oposto; ou entre-se
em qualquer discoteca ou clube noturno para observar a maioria dos jovens,
quase sempre embriagados, a dançarem freneticamente em movimentos sensualistas
para tentarem captar a atenção de uma potencial parceira – qualquer seja ela,
na maior parte dos casos.
É óbvio que nesta sociedade feminina, ao contrário do
que muitas vezes se julga, são as mulheres que detém o poder sexual e, quase
sempre, dominam os homens. Estes servem-nas e tentam satisfazer os seus
prazeres mais narcisistas para conquistarem e manterem a sua atenção e, assim,
elas lhe darem o que ele ambiciona. O que é perverso é que a própria mulher,
mesmo numa sociedade de caráter feminino, em que politicamente e legalmente se
encontra equiparada ao homem, não tem mais segurança e proteção do que na
antiga sociedade tradicional, pois a sua feminidade é agora usada como
mercadoria, moeda de troca, encontra-se profanada ao altar do materialismo, e,
portanto, perde todo o seu real poder e não mais é refúgio e razão de ser para
ela, que assim se vê, dada a sua natureza dependente, totalmente usada e
sozinha, mesmo que esteja numa relação. A mulher é ao mesmo tempo proxeneta e
prostituta.
Tal é o atual estado das coisas e, na verdade, um
efeito de um sistema artificial que, pela sua perversão, cria estes resultados
colaterais, os quais, diga-se, foram alertados por mentes muito mais sábias
séculos e até milénios atrás. É para nós claro o caminho a seguir, não só por
causa destes efeitos, mas sobretudo porque sabemos da inversão dos atuais
valores da humanidade e do processos que levaram a chegar a tal estado de
coisas. Infelizmente, é fácil prever qual o caminho que será trilhado: em vez
de voltar ao que é são e tradicional em relação ao papel dos sexos na
sociedade, vai-se aprofundar o erro em que nos encontramos. Não muito nos
enganaremos se previrmos que estas consequências colaterais de um sistema
doente serão usados pelas mesmas forças que lhes deram nascimento para fazer
avançar ainda mais a agenda da igualdade de género e diminuir por mais meios
legislativos, judiciais, culturais e outros - crescentemente violentos – as
diferenças no plano material que ainda existam entre o homem e a mulher.
Mais e mais comportamentos masculinos, há pouco tempo
ainda vistos como naturais, passarão a ser considerados passadistas e
retrógrados, à medida que a sociedade avança para a grande equalização, que só
conhecerá um fim com a libertação do homem e da mulher de todos os vestígios de
comportamentos remanescentes de qualquer espiritualidade ou ordem superior, até
que o homem não mais se diferencie do animal. Não é por acaso que hoje já se
assiste abertamente à implantação da nova fase subversiva neste campo, em que
os próprios conceitos de género e de orientação sexual são atacados e negados,
teorizados que são como meras construções sociais, e que tais designações devem
ser deixadas à discrição subjetiva temporária do indivíduo, que já tem à sua
disposição um cardápio cada vez maior de géneros e orientações por onde
escolher. No fundo, a revolução sexual e a igualdade dos sexos não mais foram
do que etapas de uma corrente uniforme que lhes deu nascimento; nunca foram,
nem nunca serão, fins em sim mesmos. Esgotados os efeitos para os quais foram
criados, descartam-se sem mais em favor dos próximos mitos da ação subversiva
mundial, como já o foram, a título de exemplo, o princípio das soberanias
nacionais no séc. XVII ou o da liberdade religiosa, mais recentemente.
Que todos aqueles que tenham um desejo de combater os
malefícios do atual estado da humanidade tenham olhos para ver e que não sejam
tentados a tomar posições reativas, que na maior parte dos casos se limitam a
tomar a defesa de uma etapa anterior da subversão, que mais não causa do que
fazer o jogo dela e nos torna em meros objetos da história.
Uma palavra para os detratores que nos acusam de nos
mover um ódio pela mulher ao escrever estas linhas – acusação comum e deveras
interessante, já que assume que só se podem tomar posições por ódio, o que diz
muito de quem as avança – aos quais diremos que, por muito chocantes que possam
parecer para a mente moderna, estas linhas constatam apenas uma realidade de
facto que, inclusive, foi prevista pelos grandes textos sagrados de todo o
mundo e também ecoada pela opinião generalizada de toda a humanidade até a um
período muito recente. Mais, se há censura a fazer, ela deverá ser dirigida
fundamentalmente ao próprio homem e não à mulher, já que foi este que, enquanto
detentor das chaves da civilização e do divino, permitiu, por inação e
covardia, que se chegasse a tal estado de coisas, o qual é infinitamente mais
violento para a mulher e para a sua honorabilidade.
Quanto aos homens que acreditam na Tradição, na Honra
e na Verdade, esses serão os últimos a atacar a mulher atual pelas suas ações,
já que sabemos melhor e, no fundo, envergonhamo-nos pelo modo como deixamos que
se criasse uma sociedade como esta na qual as nossas Avós, Mães e Filhas
tiveram a infelicidade de viver.
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